Beyond Van Gogh, uma lição de empreendedorismo e inovação.

Beyond Van Gogh, uma lição de empreendedorismo e inovação.

Essa semana tive a oportunidade de ir visitar a exposição Beyond, sobre Vincent VanGogh, e fiquei realmente impressionada, não somente com a exposição em si, mas com todo o contexto com que ela foi montada. Se você ainda não ouviu sobre essa exposição ou já ouviu, mas não teve tempo para ir visitar, encontre tempo! Além de todo o impacto de vida e obra de VanGogh, você vai viver uma experiência que é uma lição sobre o mercado do entretenimento.

Logo na entrada, a exposição já informa: “Somos uma exposição sobre um grande artista, sem apresentar presencialmente nenhuma obra desse artista”. Oi? Pois é, uma exposição em que um grande ícone das artes é apresentado, de forma bastante completa e impactante, sem que nenhuma de suas obras esteja fisicamente presente no evento. E o resultado é lindo.

Minha motivação aqui não é falar sobre VanGogh. Sua arte e seu valor são inegáveis, preciosos e eternos. O que me move aqui é falar sobre o lado inovador e de negócios dessa exposição. Entenda o brilhantismo desse evento: um espaço relativamente pequeno, que leva o participante para dentro da vida e da obra do artista, com um caminho que o visitante percorre e por onde é impactado visualmente, auditivamente e inclusive através do tato, que emociona e realmente toca o expectador, de forma que muitos museus gigantescos e internacionalmente conhecidos não conseguem fazer.

Imagine todo o custo, todo o risco e todas as implicações de precisar trazer as obras do artista para criar uma exposição sobre ele. Gastos de transporte, possíveis sinistros por conta de avarias com a movimentação das peças, armazenamento, exposição a luz e manipulação das peças. Agora apaga tudo isso, porque toda a exposição Beyond é digital. Troque os investimentos tradicionais de fazer uma mostra sobre um artista pelo investimento em telas impressas com iluminação por trás, espaços interativos com cenários construídos com materiais como tecido, flores artificiais e iluminação e uma infinidade de projetores, que tem o desafio de reproduzir de forma única as obras do artista.

Passando pela exposição, você basicamente visita 4 espaços: logo na entrada, um corredor com tecidos com estampas de flores que você precisa “atravessar” já avisam que a experiência dessa exposição não será convencional. Na sequencia um trajeto com telas que contam sobre a vida de VanGogh, preparam o visitante para conhecer o contexto em que as obras foram criadas. O terceiro espaço é um jardim com girassóis artificiais – flor tão representativa da obra de VanGogh – que o visitante atravessa para chegar ao espaço mais esperado da exposição: um grande salão com projeção em todas as paredes e no teto, em que o visitante toma contato com as obras em um espetáculo de 40 minutos de projeção com uma trilha sonora suave e perfeitamente casada com o roteiro da produção. Como visitante, quando você entra na sala de projeção, você está devidamente educado sobre VanGogh, e você não somente vê as obras através da projeção como por vezes faz parte delas, uma vez que a projeção de piso acontece sobre os visitantes.

Receita de sucesso: uma exposição multimidia que toca e educa os visitantes, cumpre maravilhosamente bem seu papel de homenagear Vincent VanGogh ao mesmo tempo em que gera faturamento com um produto que no Brasil, enfrenta muitos obstáculos como negócio sustentável: a arte. Uma lição de empreendedorismo e novos negócios para quem quer trabalhar com arte de forma viável, entendendo que em todos os negócios a inovação inteligente traz resultados em todos os níveis.

Com graduação em Arquitetura e Urbanismo, pós graduação em Administração, MBA em Empreendedorismo e Inovação, e Master in Digital Marketing, Carol Olival tem um perfil multidisciplinar e transita com segurança pelos mercados de educação, marketing, vendas e treinamento. Carol operou escolas próprias de inglês por 10 anos, e hoje é Community Outreach Director da Full Sail University, responsável pela criação e manutenção de comunidades internacionais para a universidade através da divulgação das imensas possibilidades que as carreiras na economia criativa oferecem.

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