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Ter dados não significa ter inteligência: entenda a diferença entre armazenamento de informações e geração de insights

em Destaques
quarta-feira, 29 de julho de 2026

Especialista explica como empresas podem substituir decisões baseadas em percepção por estratégias orientadas por dados e destaca os erros mais comuns na interpretação de indicadores que comprometem resultados

Imagine uma rede de varejo que percebe uma queda nas vendas e decide aumentar os investimentos em publicidade por acreditar que o problema é a baixa visibilidade da marca. No entanto, uma análise inteligente dos dados revela que o verdadeiro motivo da perda de faturamento é o aumento do abandono de carrinhos no e-commerce, causado por um processo de pagamento lento e com alta taxa de falhas.

Em vez de ampliar os gastos com marketing, a empresa corrige a jornada de compra, simplifica o checkout e recupera as vendas. Nesse caso, a inteligência de dados evitou uma decisão baseada em percepção e direcionou os recursos para a causa real do problema. A questão é que nem toda organização age assertivamente assim.

O volume de dados gerados pelas empresas nunca foi tão grande. Ainda assim, muitas companhias continuam tomando decisões estratégicas com base na experiência, na intuição ou em indicadores pouco confiáveis. Em um cenário de alta competitividade, transformar informações em inteligência de negócios deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito para aumentar a eficiência, reduzir riscos e identificar oportunidades de crescimento.

Heloísa Medeiros Costa, COO da PH3A, empresa especializada em marketing digital, big data, crédito e cobrança, explica que o desafio atual das empresas não está apenas em coletar dados, mas em saber interpretá-los corretamente. “Os dados precisam responder perguntas de negócio. Quando uma organização acompanha métricas sem contexto ou utiliza informações desatualizadas, ela corre o risco de tomar decisões equivocadas, desperdiçar recursos e perder competitividade”, afirma.

Entre os erros mais frequentes estão o uso de indicadores que não refletem os objetivos da empresa, a análise isolada de métricas sem considerar o contexto e a falta de integração entre diferentes bases de dados. “Na prática, essas falhas podem resultar em campanhas pouco eficientes, concessão inadequada de crédito, aumento das fraudes, estoques desequilibrados e investimentos direcionados para prioridades incorretas”, diz.

Outro case fictício exemplifica bem o cenário: uma empresa observa que suas vendas cresceram 20% em um trimestre e conclui que sua estratégia comercial está funcionando perfeitamente. Com base apenas nesse indicador, decide ampliar investimentos e contratar mais vendedores. Meses depois, descobre que o aumento nas vendas ocorreu porque concedeu descontos muito agressivos, reduzindo significativamente sua margem de lucro. Na prática, o faturamento aumentou, mas a rentabilidade caiu. Ao analisar apenas um indicador, sem considerar métricas como margem, custo de aquisição de clientes e lucratividade, a empresa tomou uma decisão que comprometeu seus resultados financeiros.

Tomada de decisão mais rápida e efetiva
Além dos ganhos em eficiência, uma estratégia baseada em inteligência de dados também contribui para tornar as empresas mais ágeis diante das mudanças do mercado. Ao acompanhar indicadores em tempo real, gestores conseguem identificar desvios de desempenho, antecipar tendências de consumo e responder com mais rapidez a mudanças no comportamento dos clientes e da concorrência. “Isso reduz o tempo entre a identificação de um problema e a tomada de decisão, aumentando a capacidade de adaptação e a competitividade dos negócios”, afirma Heloísa.

Para evitar esse cenário, a executiva defende uma cultura orientada por dados, na qual os indicadores estejam diretamente ligados aos objetivos estratégicos do negócio. “Nem toda métrica é relevante. O importante é identificar quais indicadores realmente ajudam a responder se a empresa está alcançando seus objetivos e quais ações devem ser tomadas a partir dessas informações”, explica.

A inteligência de dados também tem ampliado a capacidade das empresas de prever comportamentos, identificar tendências e antecipar riscos. Com o apoio de tecnologias como inteligência artificial e análise avançada de dados, gestores conseguem tomar decisões mais rápidas, assertivas e baseadas em evidências, substituindo o “achismo” por informações concretas.

Na avaliação da especialista, o futuro da gestão passa necessariamente pelo uso inteligente dos dados. “Empresas que conseguem transformar indicadores em decisões de negócio ganham velocidade, reduzem desperdícios e constroem vantagens competitivas sustentáveis. O dado, por si só, não gera valor; o diferencial está na capacidade de interpretá-lo e convertê-lo em estratégia”, conclui.

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