Tecnologia é a estratégia para vender imóveis em tempos de pandemia

Todo mundo que se prepara para comprar um imóvel gosta de visitar o local para ver a qualidade do acabamento, tamanho, a vista que se tem da janela entre outros. Melhor ainda se o apartamento estiver decorado. Mas como fazer isso em período de pandemia de Covid-19 sem colocar a própria saúde em risco?

O medo que muitas pessoas têm de se contaminarem fez com que caísse o número de visitantes nos estandes de vendas. Em momentos de lockdown, então, a visitação despenca. A solução encontrada por muitas empresas do ramo foi acelerar o investimento em transformação digital. A estratégia agora é oferecer ao interessado a possibilidade de fazer um tour virtual pela casa ou apartamento.

A tecnologia está tão avançada que os sistemas existentes possibilitam uma experiência bastante próxima da visita presencial. Por meio da tela de um computador, tablet ou smartphone, o cliente passeia por dentro do imóvel com a vantagem de poder observar com atenção detalhes do projeto que nem sempre são percebidos presencialmente. Os softwares permitem até curtir a vista do lado de fora a partir das janelas, como se a pessoa estivesse realmente no local.

Especializada no desenvolvimento de processos de gestão profissional para incorporadores e loteadores com o objetivo de alavancar os resultados, a VGV S.A é uma das empresas que acelerou o processo de transformação digital para atender a clientela à distância. O CEO da empresa, Giuliano Milano, explica que quando um apartamento ainda está na planta é necessário aproximar o cliente o máximo possível da realidade.

O mais comum era o apartamento decorado com apoio de maquetes. A tecnologia já vinha se incorporando às estratégias, mas com a pandemia ela se tornou essencial. “Agora, as pessoas não têm acesso aos locais porque a maioria evita o contato. Então, a experiência online tem de ser a mais eficiente possível porque nosso papel é trazer a melhor experiência de compra. É fundamental que o cliente tenha certeza de estar satisfazendo seus desejos ao assinar o contrato de compra”, disse Milano.

Para tornar isso possível, a VGV implantou, por meio de parceria, uma plataforma que permite ao cliente “navegar” pelo empreendimento virtualmente de onde ele estiver. A tecnologia, porém, não se limita a recursos para aproximar o cliente do imóvel. Há outros softwares que dão suporte e agilizam a negociação.

Um desses programas, também implantado pela VGV é uma ferramenta chamada “Construtor de Vendas. Trata-se de um sistema que se propõe a fazer o fluxo de venda do início ao fim. “Ela inclui várias etapas, do cadastro à assinatura do contrato, que torna o processo 100% digital”, explica o CEO. A VGV também conta com outra ferramenta online desenvolvida pela Brain Inteligência Estratégica, batizada de “Geo Brain”. Esse software dá acesso a informações estratégicas de mercado e é de uso interno da companhia.

Um dos atrativos para quem costuma visitar estandes de vendas de imóveis são os apartamentos decorados. Isso porque o layout e a decoração ajudam o cliente a tomar uma decisão. Por esta razão, as tecnologias que estão sendo usadas para vendas à distância precisam incorporar essa opção para garantir uma boa experiência de visitação virtual ao comprador.

A Archademy, primeiro e maior Market Network de Arquitetura e Design de Interiores do Brasil, já trabalha dentro deste conceito há pelo menos três anos. E a pandemia ajudou a impulsionar o conceito que, de acordo com Anna Rafaela, cofundadora da empresa, veio para ficar porque apresenta algumas vantagens que complementam o modelo tradicional de vendas.

“Hoje nós conseguimos entregar diferentes tipos de decorados em 3D para que as construtoras e imobiliárias possam enviar para seus clientes. No modelo de visitação presencial, existe apenas uma decoração, um layout que por mais criativo e bonito que seja não consegue atrair a atenção de todos os perfis de clientes. Virtualmente é possível fazer isso.”, explica.

Anna Rafaela disse que já fechou contrato para fornecimento desses decorados com construtoras de São Paulo e do Espírito Santo e que empresas de Curitiba-PR e Brasília-DF estão aderindo ao novo portfólio de projetos. Em sua opinião, a maioria das empresas do setor ainda não está totalmente preparada para esse novo normal, mas todas caminham para oferecer soluções que atendam às necessidades dos clientes.

Quanto aos compradores, a executiva observou que há muito interesse de trocar o imóvel por outro maior e que essa vontade tem sido maior do que a natural resistência ao sistema virtual. Em sua opinião, o modelo de tour virtual veio para ficar, mas não vai substituir, na maioria das situações, a forma tradicional de se vender imóvel.

“O virtual não vai substituir o presencial, mas funciona como um filtro. O cliente pode fazer uma pesquisa pela Internet de forma mais rápida e prática. Escolher as opções que realmente interessarem e aí sim, sair de casa para ver o imóvel desejado. Aquela pessoa que compra apenas como investimento talvez não sinta a necessidade de fazer a visita propriamente dita, mas quem compra para morar quer dar uma olhada presencial, mesmo já tendo visto virtualmente”, comenta.

Outra vantagem é que o layout virtual pode ser vendido à parte. O cliente tem a opção de contratar, total ou parcialmente, os serviços do arquiteto responsável pela decoração que ele mais gostou. “A tecnologia melhora a experiência de curadoria”.

A pandemia fez com que muitas empresas passassem a priorizar a transformação digital como forma de superar a crise e manter o crescimento durante o período de isolamento social. É o que revela a segunda edição do ICTd – Índice CESAR de Transformação Digital, estudo que ajuda a mapear o nível de maturidade digital das empresas brasileiras.

De acordo com a pesquisa, 23,7% dos respondentes afirmam que a transformação digital se tornou prioridade máxima no planejamento estratégico da empresa, representando um salto de 7,3 p.p. em relação a 2019. Percebe-se também uma redução no número de respondentes que não veem o tema como uma prioridade, caindo de 16,9% em 2019 para 12,32% em 2020.

Ao se autoavaliar a respeito do processo de transformação digital durante o ano de 2019, 34,36% das empresas responderam que se consideravam perto, ou muito perto da maturidade digital. Um ano depois de darem estas respostas, o patamar de organizações que se consideram neste nível de desenvolvimento saltou para 42,77%. Estas informações podem ser conferidas no link: (https://materiais.cesar.org.br/report-ictd2020). Fonte e outras informações: (www.compliancecomunicacao.com.br).

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