
A digitalização de processos auxilia no controle, na redução de custos operacionais e no ganho de escala
As pequenas e médias empresas (PMEs) industriais respondem a 54% dos empregos formais da indústria nacional, segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O número representa a importância dessas empresas para o país.
O Mapa de Digitalização das Micro e Pequenas Empresas, desenvolvido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que a maioria das PMEs ainda está em estágios iniciais de maturidade digital, enfrentando barreiras internas de capacitação, infraestrutura e cultura.
Com isso, grande parte das PMEs ainda apresenta uma gestão improvisada, informal e manual. Os resultados dessa informalidade são desperdício de matéria-prima, estoque e compras sem controle, além de custos operacionais que poderiam ser evitados.
Redução de custo operacional, maior previsibilidade e mais competitividade
O primeiro passo da transição de processos informais e manuais para sistemas automatizados de controle é organizar a rotina da fábrica por meio de uma planilha de produção diária grátis, por exemplo. Sem custo inicial, essa ferramenta ajuda a visualizar, em um só lugar, as entradas e saídas físicas do dia a dia, ou seja, quanto foi produzido, quanto de insumo foi consumido, o que saiu para entrega e o que ficou parado no estoque.
Por meio desse controle básico, o gestor consegue visualizar gargalos como perda de materiais, etapas que travam a produção e os gastos desnecessários. A padronização dos processos reduz custo operacional, aumenta a previsibilidade e prepara a empresa para competir em um mercado cada vez mais digital e exigente.
À medida em que a indústria cresce, o volume de pedidos, fornecedores e movimentações de estoque cresce junto. Com isso, é preciso focar no próximo passo, o ERP, apesar de muitos empreendedores ainda não conhecerem o que é ERP. Trata-se do Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais, um software de gestão que unifica, em uma única plataforma, os dados de compras, estoque, vendas e finanças.
Por meio do ERP, os setores operam sobre a mesma base de informações, atualizada em tempo real. Quando uma venda é registrada, por exemplo, o estoque baixa automaticamente.
“O momento de migrar das planilhas para um ERP, geralmente fica evidente quando a indústria começa a perder tempo conciliando informações, encontra dados diferentes sobre a mesma operação ou já não consegue acompanhar produção, estoque, compras e vendas com a agilidade necessária”, aponta o engenheiro e sócio da Nomus, Thiago Leão.
Treinamento e planejamento são fundamentais para a transição
Levantamento da plataforma Capterra indica que 44% das pequenas e médias empresas brasileiras já usam sistemas de gestão empresarial, com adoção que chega a 73% entre as PMEs de maior porte.
Um erro comum nessa transição tecnológica é tentar digitalizar processos desorganizados sem antes definir responsabilidades e revisar os dados que serão levados para o novo sistema.
“Também é importante evitar uma mudança abrupta, sem treinamento e planejamento. Uma implantação bem estruturada deve ocorrer por etapas, priorizando os processos mais críticos e preparando a equipe para a nova rotina. Assim, a pequena ou média indústria consegue profissionalizar a gestão sem comprometer a continuidade da produção”, destaca Leão.
Gestão simplificada para o crescimento sustentável nos negócios | Jornal Empresas & Negócios



