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Planejamento fiscal 2026 exige revisão de estruturas no Brasil e nos EUA

em Destaques
quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Estudos indicam que empresas brasileiras seguem entre as que mais gastam horas com obrigações tributárias e especialistas alertam para riscos de inconsistências no próximo ciclo fiscal

A preparação para o calendário tributário de 2026 ganhou atenção redobrada entre empresas e profissionais que atuam simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Levantamentos como o Paying Taxes, do Banco Mundial e PwC, mostram que organizações brasileiras ainda despendem cerca de 1.500 horas anuais para cumprir obrigações fiscais, número que permanece entre os mais altos já registrados internacionalmente.

Nos Estados Unidos, o tempo médio é de 175 horas por ano, segundo a mesma base comparativa, mas com exigências federais e estaduais distintas que variam conforme o modelo societário e a atividade econômica.

A combinação de ambientes regulatórios diferentes deve exigir revisão de processos ao longo de 2025, sobretudo porque 2026 marca a primeira etapa de transição para a CBS e o IBS no Brasil. A avaliação é de Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group e especialista em planejamento tributário nos Estados Unidos. Segundo ela, os dois sistemas caminham para controles mais rigorosos, com aumento do cruzamento de dados e da automação fiscal. “Quem deixar para revisar documentações, enquadramentos e declarações somente quando as novas regras começarem a valer pode enfrentar custos maiores e até penalidades”, afirma.

Além da reforma brasileira, contribuintes com atuação internacional precisam acompanhar a expansão dos mecanismos de reporte automático entre países, reforçada pelas novas políticas de transparência fiscal adotadas nos últimos anos. A Receita Federal tem investido em sistemas digitais para identificar inconsistências, enquanto o IRS amplia esforços para rastrear rendimentos e ativos no exterior.

Os pontos críticos para evitar surpresas em 2026
Spanner observa que o erro recorrente entre brasileiros com negócios nos Estados Unidos é supor que a carga será sempre menor. Para ela, a aparente simplicidade de alguns estados pode induzir decisões equivocadas. “Os prazos são rígidos e as multas por envio incorreto ou tardio se acumulam rapidamente. Optar entre modelos como LLC, Corp ou S-Corp altera não apenas a tributação, mas também o nível de exposição do contribuinte”, explica.

A preparação para 2026 envolve aspectos considerados essenciais pelos especialistas. O primeiro é a reavaliação do modelo societário. A transição para IBS e CBS tende a modificar créditos, tratamentos setoriais e obrigações acessórias no Brasil. Nos Estados Unidos, o tipo de entidade influencia diretamente a forma de tributação, o registro das operações e as exigências estaduais. O segundo é a gestão documental, que precisa ser precisa e atualizada para acompanhar a ampliação das exigências digitais em ambas as jurisdições. O terceiro é o monitoramento constante das operações transfronteiriças, já que a expansão das regras de reporte automático aumenta a necessidade de declarações corretas sobre rendimentos, investimentos e serviços prestados entre países. O quarto é a elaboração de projeções financeiras detalhadas, considerando variações cambiais, residência fiscal e créditos bilaterais. E o quinto é a atenção às declarações de pessoa física com investimentos no exterior, que continuam sujeitas a controles específicos e forte troca internacional de dados.

Para Spanner, o maior risco está menos na carga tributária e mais na ausência de planejamento contínuo. Ela avalia que a reorganização fiscal não deve ser tratada como ação pontual, principalmente em um cenário de integração crescente entre bases de dados. “Os países estão investindo em automação e inteligência de informações. Quem se antecipar terá previsibilidade e segurança. Quem adiar ajustes terá de arcar com retrabalhos e custos adicionais”, conclui.