Pesquisa mostra um panorama do comportamento corrupto nas organizações

Será que os profissionais brasileiros receberam mais presentes de fornecedores durante a pandemia? Ou será que houve um aumento de conflito de interesses envolvendo colaboradores em suas relações profissionais nesse período? Ou ainda será que o risco comportamental dos profissionais quanto à oferta de suborno aumentou?

A corrupção organizacional é um fenômeno de natureza sistêmica e pode ser abordada de muitas formas. Uma pesquisa realizada pelo IPRC Brasil (Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental) buscou abordar os meios mais recorrentes divulgados em que a corrupção ocorre: suborno, conflito de interesses e presentes. Com os dados que já tinham antes da pandemia, o instituto conseguiu comparar com o cenário atual.

. Suborno – Também conhecido no Brasil como “propina”, “bola” e “pixuleco”, o suborno é o ato de prometer, oferecer ou pagar a uma autoridade, governante, funcionário público ou profissional da iniciativa privada qualquer quantia de dinheiro.
A pesquisa levantou uma perspectiva alentadora: os programas anticorrupção estão gerando uma mudança comportamental quando o dilema trata de suborno.

Houve um aumento de 13% no número de profissionais que denunciaram esse desvio. Tal dado leva a duas reflexões: 1 – a proximidade com seus familiares impõe aos profissionais uma conduta mais condizente com seus discursos, uma vez que suborno é um ato claro de corrupção? 2 – as organizações desenvolveram programas anticorrupção pontual e contundente quanto aos dilemas éticos envolvendo suborno.

. Conflitos de interesse – O conflito de interesse ocorre quando existe um confronto entre os interesses públicos e privados, prejudicando o interesse organizacional ou coletivo. Os dados levantados pelo IPRC indicam um ponto de atenção: profissionais estão mais em conflitos de interesses na pandemia, quando houve um crescimento de 17% para 24%.

Segundo Renato Santos, especialista em compliance e diretor do instituto, esse aumento alerta para a necessidade de criar programas e treinamentos de compliance mais práticos e específicos sobre corrupção. “Não basta mais alertar apenas sobre o risco comportamental envolvendo suborno direto. É necessário apresentar dilemas éticos menos óbvios, como conflitos de interesses. Além disso, as empresas precisam desenvolver seus colaboradores quanto ao tema no contexto da nova configuração de trabalho (remoto) imposta pela pandemia”, afirma.

. Presentes – Ainda que não haja grande diferenciação entre o recebimento de presentes e suborno, a corrupção pode ocorrer por meio da dádiva, com o ato de corromper de maneira implícita e indireta. A Teoria da Dádiva, cunhada pelo sociólogo francês Marcel Mauss, explica como se dá a criação de laços sociais, destacando que essas relações possuem influência mais nos envolvidos do que na relação econômica.

De acordo com a pesquisa, não somente houve aumento (de 12% para 19%) na aceitação de presentes, como também aumentaram (de 4% para 7%) aqueles profissionais que não sabem como agir diante desse risco comportamental. Para Santos, essa piora pode ter ocorrido por duas hipóteses: 1 – aumento de propostas e envios de presentes para profissionais diretamente em suas residências, diminuindo o risco de serem detectados, 2 – as interações profissionais remotas permitiram maior proximidade pessoal a ponto de facilitar esses “agrados” por meios de presentes.

. Teste de integridade – O especialista destaca a aplicação do teste de integridade como uma das formas de prevenir essas situações nas empresas. Essa ferramenta consiste na simulação de situações antiéticas com o objetivo de avaliar a predisposição do indivíduo para cometer atos imorais ou ilícitos. É um instrumento importante para medir a resiliência do sujeito diante de um dilema ético e, consequentemente, proporciona subsídios para mitigar o problema na organização.

No entanto, não podemos cair em uma visão binária e ingênua ao tentar classificar o avaliado como íntegro ou não íntegro. O ideal, portanto, é demonstrar de que forma as convicções comportamentais do avaliado se distinguem dos valores da organização.

Ele avalia que é preciso investir na ampliação da percepção moral do indivíduo, por meio do investimento na instrução. “E a instrução, por sua vez, é mais ampla do que capacitar a equipe exclusivamente para a atividade profissional em sua dimensão técnica. Daí a necessidade de investimento em programas de promoção da ética de forma mais detalhada e aprofundada”, enfatiza. – Fonte e outras informações em: (www.iprcbrasil.com.br).

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