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O pequeno varejista não precisa de uma agência para fazer marketing

em Destaques
quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Edson Bucci (*)

O pequeno varejista não precisa de uma grande agência para fazer marketing, mas precisa parar de acreditar que marketing é sinônimo de grandes campanhas, produções sofisticadas e altos investimentos. Enquanto grandes marcas disputam atenção com estruturas cada vez maiores, o pequeno negócio tem algo que nenhuma agência consegue comprar, que é a proximidade com o cliente, e essa pode ser uma vantagem competitiva poderosa.

Marketing começa antes da ferramenta, começa pela clareza sobre o que vender, para quem vender e por que aquela pessoa deveria prestar atenção. Com um celular, um perfil no Instagram, WhatsApp e algumas horas por semana, já é possível criar uma rotina de divulgação capaz de aumentar a visibilidade da empresa, gerar relacionamento e apoiar as vendas.

O primeiro passo é justamente não tentar falar sobre tudo ao mesmo tempo, já que um dos erros mais comuns é transformar cada produto, serviço ou novidade em uma prioridade. Quando tudo é divulgado, nada necessariamente chama atenção. É melhor escolher um foco por vez, como um produto, uma linha, uma promoção, um serviço ou uma categoria.

Em vez de publicar “temos várias novidades na loja”, por exemplo, uma mensagem como “Chegaram novos modelos de tênis para quem busca conforto no dia a dia” é muito mais objetiva. Quanto mais clara a mensagem, maior a chance do cliente entender rapidamente o que está sendo oferecido.

O Instagram também não precisa ser tratado como um catálogo digital e muito menos como uma competição para descobrir quem produz o conteúdo mais elaborado. O perfil pode ser uma vitrine, mas uma vitrine que também mostra a personalidade do negócio.

Há três tipos simples de conteúdo para começar: produto, dica e bastidor. O primeiro mostra novidade, preço, benefício ou condição especial. O segundo ensina algo relacionado ao que a empresa vende. E o terceiro mostra equipe, loja, atendimento, entrega ou rotina.

Uma loja de roupas pode publicar um produto pela manhã, uma dica de combinação durante a semana e um vídeo curto mostrando novidades. Assim, o perfil se torna mais interessante e menos parecido com uma sequência de anúncios.

O mesmo vale para os vídeos, considerando que não é necessário equipamento profissional, roteiro elaborado ou uma produção cinematográfica. Um vídeo de 10 a 30 segundos pode responder a uma única pergunta “Por que esse produto pode ser interessante para o meu cliente?”.

Mostre o produto, explique um benefício e termine com uma chamada simples: “Quer saber mais? Fale com a gente pelo WhatsApp”, o importante é a frequência, não a perfeição.

E se o WhatsApp já faz parte da rotina do negócio, ele não precisa servir apenas para responder quem chega. Pode também ajudar a vender, já que para clientes que autorizaram o contato, listas de transmissão podem ser usadas para comunicar novidades, promoções, reposições de estoque ou oportunidades especiais.

Mas existe uma regra que não pode ser ignorada: menos mensagens, mais relevância. Em vez de disparar ofertas todos os dias, é melhor falar quando houver algo que realmente possa interessar àquele cliente.

Outra oportunidade está justamente em quem já comprou. Clientes satisfeitos são uma das melhores formas de divulgação. Com autorização, depoimentos, fotos, avaliações e histórias de compra podem se transformar em conteúdo.

Uma mensagem como “Esse produto chegou ontem e já virou um dos mais procurados da loja”, pode despertar mais interesse do que uma propaganda tradicional. Avaliações positivas também ajudam a reduzir a insegurança de novos compradores.

Se houver dinheiro para investir, mesmo que pouco, também não faz sentido impulsionar qualquer publicação. Primeiro é preciso observar o que despertou interesse, quais conteúdos tiveram mais curtidas, comentários, compartilhamentos ou mensagens. Depois, pode colocar um valor pequeno nesses posts para ampliar o alcance na região. O objetivo não é apenas alcançar mais pessoas, mas alcançar mais pessoas com potencial real de compra.

Marketing também é aprendizado
Não é preciso transformar o marketing em uma planilha interminável de indicadores. Para começar, três números já dizem bastante, que são quantas pessoas visualizaram, quantas entraram em contato e quantas compraram.

Se uma campanha gerou muita visualização, mas nenhuma conversa, talvez a mensagem não tenha sido forte o suficiente. Se gerou muitas conversas, mas poucas vendas, talvez seja necessário revisar preço, oferta ou atendimento. Marketing também é aprendizado.

Existe uma característica mais importante do que qualquer ferramenta, que é a constância. O pequeno empresário não precisa competir com grandes marcas em produção ou investimento. Pode competir em proximidade, velocidade, autenticidade e relacionamento, justamente atributos que grandes estruturas muitas vezes têm mais dificuldade de reproduzir.

Para o pequeno varejista, aprender a usar melhor os recursos que já estão nas próprias mãos é a maneira mais eficiente de investir no seu marketing.

(*) Diretor de Marketing da Soften Sistemas.

Mulher e marketing: da objetificação ao poder de consumo | Jornal Empresas & Negócios