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O olhar feminino como diferencial estratégico na era da experiência

em Destaques
segunda-feira, 11 de maio de 2026

Renata Guilherme (*)

O dia nacional da mulher, celebrado em 30 de abril, passou deixando uma reflexão importante para o mercado corporativo brasileiro: a discussão sobre presença feminina nas empresas finalmente começa a avançar da representatividade para a estratégia. Em 2026, o debate já não gira apenas em torno de ocupar espaços, mas sobre o impacto direto da liderança feminina nos resultados de negócio. Dados do relatório global do LinkedIn, divulgado em março deste ano, mostram que as mulheres representam 45,2% da força de trabalho no Brasil, mas ainda ocupam apenas 32,2% dos cargos de liderança no país.

Dentro do universo de Customer Experience (CX), essa mudança é ainda mais latente. O chamado olhar feminino, muitas vezes reduzido injustamente a uma sensibilidade abstrata, é, na verdade, um ativo estratégico de alta precisão. O estudo ainda aponta que, a maior queda na representação feminina ocorre justamente na transição para a alta liderança, onde a presença de mulheres recua 30%. É um paradoxo, pois em um cenário onde a inteligência artificial automatiza processos, a diferenciação competitiva migrou para a capacidade de interpretar nuances, exercer empatia real e antecipar necessidades humanas, competências onde a liderança feminina tem se destacado.

O empoderamento feminino em 2026 não se resume mais a ocupar uma cadeira na diretoria; trata-se de liderar movimentos que deem voz e visibilidade às trajetórias femininas, transformando histórias individuais em força coletiva. Ao promover espaços de conexão e escuta ativa dentro das organizações, conseguimos elevar o protagonismo da mulher e acelerar a quebra de barreiras culturais.

Com base em um levantamento da Catho e do Governo do Brasil, embora as vagas afirmativas para mulheres tenham avançado 72% no primeiro trimestre deste ano, a alta liderança brasileira ainda concentra apenas 38% de presença feminina. O desafio real reside na equidade de percepção, indicando que o mercado precisa treinar a visão para reconhecer que a qualificação superior das mulheres deve se traduzir efetivamente em poder de decisão.

Liderar em CX exige uma visão sistêmica que harmonize tecnologia e humanidade. Esse olhar atento é a ferramenta que nos permite questionar modelos engessados e propor jornadas de consumo que respeitem a diversidade do público. Quando trazemos a perspectiva feminina para a estratégia de uma marca, injetamos uma bagagem de resiliência e multitarefa que é vital para a sobrevivência das empresas em um mundo volátil.

Celebrar a data é reconhecer que a nossa presença nas mesas de decisão não é um favor, mas uma infraestrutura crítica para a inovação. O futuro dos negócios será desenhado por quem souber ouvir, acolher e agir com precisão. E, para isso, o olhar feminino não é apenas bem-vindo; ele é indispensável.

(*) Diretora de CX na Actionline.

Por que a assessoria de imprensa pode ser o diferencial estratégico para empresas? – Jornal Empresas & Negócios