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Minha empresa dobrou de tamanho, e agora?

em Destaques
terça-feira, 11 de maio de 2021

Helder Sato (*)

No universo das startups, onde o crescimento rápido é a meta para que o negócio se torne sustentável, não é raro que o foco dos gestores esteja fixo em melhorar o produto e torná-lo cada vez mais atrativo ao cliente final. No entanto, o combustível da inovação – aquela faísca que impulsiona cada organização – são as pessoas.

Mas como manter uma gestão que consiga performar com a agilidade que o mercado exige sem perder de vista o aspecto humano, tão fundamental às operações? Esse é um dos maiores desafios do nosso ecossistema de negócios. Na WeON, empresa especializada em soluções omnichannel para contact centers, experimentamos esse desafio justo no momento em que o mundo busca se reorganizar diante da pandemia.

Nos últimos dois anos, dobramos de tamanho, saltando de uma equipe de 20 pessoas para uma de 44. Conquistando cada vez mais espaço no mercado, a projeção é que a WeON dobre esse número novamente em 2022. O crescimento acelerado – especialmente em um contexto de home office – tem demandado ainda mais atenção à gestão de pessoas, para que a qualidade de vida e do trabalho de todos se mantenha no mais alto nível.

E tudo tem de ser feito com as turbinas ligadas a toda velocidade à frente, sem que a empresa pise no freio. Há bem pouco tempo, tudo era bastante próximo. Era fácil acompanhar os resultados e desafios de toda a equipe e muitas questões podiam ser resolvidas em uma conversa rápida nos corredores do escritório ou na pausa para o cafezinho.

Com uma equipe cada vez maior e a necessidade do distanciamento social, foi preciso aprimorar processos e a comunicação interna. Descentralizar a gestão, que em startups tende a ficar concentrada na figura dos sócios fundadores, se mostrou a melhor solução. Ampliar essa responsabilidade elegendo e treinando líderes foi um passo fundamental para manter a flexibilidade e o acompanhamento próximo com todos os times.

Nesse contexto, as reuniões gerais se tornaram menos frequentes, dando espaço a um formato de Diários de Bordo – encontros de 15 minutos feitos entre o líder e seu time e depois entre o líder e os sócios. Por mais que a informalidade nas relações seja um valor importante para a organização, foi importante estabelecer rotinas que nos preparem para continuarmos evoluindo.

No home office, mesmo a estratégia de contratação deve ser repensada. Alguns dos projetos da empresa já são até pensados especificamente para esse modelo de trabalho; para outros, ainda percebemos que o modelo tradicional é o que alcança os melhores resultados. Sendo assim, o setor de Recursos Humanos tem um papel fundamental para resolver esse quebra-cabeças ao lado dos gestores. De toda forma, a infraestrutura e as ferramentas de trabalho na nuvem são a base para o desempenho, prontas para a migração entre o presencial e o remoto sempre que for preciso.

É claro, não basta contratar. É preciso manter os talentos engajados e oferecer oportunidades para que evoluam junto com a empresa. Afinal, foi confiando no desejo de evoluir que chegamos onde estamos.Oferecer benefícios e, principalmente, oportunidades de aperfeiçoamento e qualificação profissional da equipe é um excelente investimento.

Por fim, se a sua empresa ainda não desenvolveu um ambiente de trabalho aberto à discussão de ideias e onde as pessoas não se sintam amarradas a processos e modos de fazer que podem rapidamente ficar defasados, a hora é agora. Estando mais distantes fisicamente, a sensação de isolamento em relação ao restante da empresa é um risco maior do que muitos gestores imaginam.

Grandes problemas e conflitos que “travam” uma operação podem ser resolvidos com uma comunicação franca e contato próximo entre os setores. Tente começar com a formação de equipes multidisciplinares e estimulando as trocas entre diferentes níveis hierárquicos.

Se tudo der certo, sua empresa vai crescer muito rápido. E para estar pronto para o futuro é necessário mais do que tecnologia. Afinal, a faísca de toda inovação surge na criação coletiva de um conjunto de mentes. Cuide para que essas mentes estejam em forma para, juntas, irem mais longe.

(*) – É mestre em Informática Aplicada e sócio e diretor da WeON.