
Rodrigo Gardin (*)
O Brasil registrou quase R$5 bilhões em prejuízos causados por fraudes com o Pix em 2024. Um dado alarmante que evidencia o avanço da criminalidade digital sobre os meios de pagamento instantâneos.
Na mesma proporção em que o Pix cresce e se consolida como o principal meio de pagamento entre os brasileiros, aumentam também, de forma proporcional, as práticas criminosas e fraudulentas. Como consequência, surge a necessidade de soluções robustas e proativas de cibersegurança no setor bancário.
Em termos gerais, golpes como phishing, engenharia social, sequestro de contas e QR Codes maliciosos estão entre os mais comuns no ambiente digital. No entanto, o maior desafio não está apenas na detecção dessas fraudes, mas sim em sua antecipação. Os ataques estão mais sofisticados, personalizados e velozes, exigindo defesas igualmente ágeis e inteligentes.
A seguir, destaco as principais soluções que as instituições financeiras devem considerar para mitigar riscos e conter ações criminosas:
Autenticação baseada em risco: Ir além do tradicional 2FA. Avaliar o comportamento do usuário, o dispositivo e a localização para acionar autenticações adicionais em situações suspeitas.
Modelos de detecção comportamental com IA: Utilizar machine learning para mapear o comportamento transacional típico de cada cliente e identificar desvios em tempo real, bloqueando transferências potencialmente fraudulentas.
Integração com sistemas antifraude colaborativos: Compartilhar dados sobre tentativas de fraude entre instituições financeiras, por meio de plataformas públicas e privadas, criando uma rede de inteligência coletiva.
Automação de respostas e contenção de ameaças: Ferramentas de SOAR (Security Orchestration, Automation and Response) possibilitam reações imediatas e coordenadas diante de anomalias, reduzindo o tempo de resposta humana.
Campanhas de conscientização contínuas: Segurança não é apenas tecnologia, trata-se, sobretudo, de pessoas. Os bancos devem investir em campanhas educativas simples, frequentes e segmentadas, reforçando boas práticas de prevenção.
Por fim, a guerra contra fraudes não será vencida com soluções estáticas. É necessário um ecossistema de cibersegurança inteligente, integrado e em constante evolução. Os prejuízos registrados em 2024 acendem um alerta: a segurança não pode mais ser tratada como custo. Ela é, mais do que nunca, uma vantagem competitiva.
(*) CTO da Luby, consultoria de tecnologia que une talento humano e IA para desenvolver software personalizado.



