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Comunidades de negócios ganham força entre contadores em busca de alta performance

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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Especialista explica como a troca entre pares ajuda escritórios contábeis a superar gargalos e a escolher caminhos de crescimento sustentável

Participar de comunidades profissionais deixou de ser apenas uma forma de networking para se tornar uma estratégia de desenvolvimento e sobrevivência em setores que vivem sob forte pressão por produtividade. No campo da contabilidade, essa prática tem se intensificado. Diante de obrigações fiscais cada vez mais complexas e da proximidade da reforma tributária, gestores têm buscado apoio em grupos que compartilham experiências e metodologias para enfrentar os mesmos desafios.

Para Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fundador da consultoria Potencialize Resultados, esse movimento é um reflexo da maturidade do setor. “Um gestor não precisa aprender sozinho os caminhos para escalar o escritório. Em uma comunidade, ele encontra colegas que já testaram soluções, erraram e acertaram. Essa troca evita desperdício de tempo e acelera a evolução”, afirma.

Lima é o idealizador do Potencialize Club, que reúne empresários contábeis de várias regiões do Brasil. O objetivo do grupo é ajudar escritórios a estruturarem processos internos, reduzirem retrabalho e ampliarem a autonomia das equipes. A proposta vai além da mentoria: envolve encontros presenciais, trocas online e suporte contínuo de especialistas em tecnologia, automação e gestão de pessoas.

Por que comunidades aceleram resultados – Estudos de comportamento organizacional mostram que profissionais inseridos em grupos de aprendizado coletivo tendem a manter maior engajamento e aplicabilidade prática do que aqueles que dependem apenas de cursos tradicionais. “Quando você vê um escritório semelhante ao seu alcançar resultados diferentes, a barreira do ‘isso não funciona aqui’ cai. A comunidade funciona como espelho e inspiração”, explica Hygor.

Segundo levantamento interno da Potencialize, escritórios que adotaram práticas sugeridas em grupo relataram até 38% menos retrabalho em meses críticos, como julho, quando parte da equipe sai de férias.

Como escolher em qual comunidade entrar – Com a multiplicação de clubes, mentorias coletivas e grupos de negócios, a dúvida é: como escolher? Hygor Lima sugere três critérios básicos:

  1. Clareza de propósito – “É importante avaliar se a comunidade tem um foco claro: eficiência, tecnologia, expansão, gestão de pessoas. Quanto mais definido, mais aplicável ao dia a dia.”
  2. Diversidade de experiências – Grupos formados apenas por iniciantes tendem a repetir os mesmos erros. Misturar perfis de empresas de portes diferentes amplia a troca.
  3. Acesso prático – O valor está no quanto as discussões podem ser levadas para a rotina do escritório. “Sem execução prática, comunidade vira só grupo de conversa”, aponta o especialista.

Da centralização à autonomia – Uma das mudanças culturais mais apontadas dentro dessas redes é a saída do modelo centralizador, em que tudo depende da figura do dono, para operações baseadas em processos. Para Lima, essa virada é crucial. “A liderança sobrecarregada não sustenta crescimento. A comunidade mostra que delegar com método é possível e necessário”, afirma.

Assim, mais do que eventos e encontros, comunidades ativas no setor contábil vêm se consolidando como um laboratório coletivo de soluções, onde gestores aprendem a lidar com pressões fiscais, reorganizam suas equipes e se preparam para as transformações regulatórias que vêm pela frente.