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Como montar com sucesso uma estratégia concreta de ESG

em Destaques
quinta-feira, 14 de abril de 2022

Como começar? Essa é uma das perguntas mais relevantes para empresas que querem mergulhar no mundo do ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), que chegou para coroar o fortalecimento da transparência e da governança corporativa no mundo dos negócios, fomentando o interesse por investir em empresas responsáveis e que têm compromissos com a sociedade e com o meio ambiente.

“No Brasil, o ESG ainda é embrionário, se comparado com o mercado norte-americano. Os investidores brasileiros apenas começam a entender a importância desse engajamento e vão pressionar as empresas a pensar seriamente nesses parâmetros. As empresas têm percebido isso e querem dar o primeiro passo nessa direção, mas nem sempre sabem como”, afirma Melissa Angelini, diretora de RI (Relações com Investidores) do Procaps Group.

Acostumados com a governança corporativa, os investidores brasileiros já olham além dos números nos balanços, se a companhia tem conselho forte, cláusulas que protegem o investidor minoritário, como é a relação com partes relacionadas, e analisam o estatuto social, para checar se se ele realmente prevê todas as cláusulas de proteção. Com o ESG está acontecendo o mesmo. Os fundos que têm áreas dedicadas à ESG, vêm ganhando força, e a evolução fará com que todos cheguem nesse objetivo.

Segundo um artigo da revista Worth, o investimento em ESG está crescendo e agora representa 33% do total de ativos sob gestão nos EUA. Os investidores mudaram a perspectiva apenas econômica, de pensar só na aposentadoria ou no futuro pessoal, e estão buscando cada vez mais o alinhamento de seus investimentos com seus valores. O objetivo financeiro agora precisa fazer diferença social e ambiental.

“Os investidores compreenderam que empresas com foco em fatores ambientais, sociais e de governança tendem a ter um desempenho melhor e mais estável a longo prazo”, explica a executiva. “Investir em temas de sustentabilidade considera projetos que incluam nas suas estratégias pautas de energia renovável, veículos elétricos e captura e armazenamento de carbono (CAC) de emissões de gases de efeito estufa, preocupações com privacidade de dados, com as tecnologias que estão sendo usadas, investimentos na comunidade, diversidade do conselho, ética empresarial e transparência.”

Segundo Melissa, essas questões podem ter um impacto significativo, positivo ou negativo, sobre os resultados financeiros de uma empresa, e fazem com que temas de sustentabilidade sejam cada vez mais estratégicos para a companhia.

. Fuja do greenwashing – “A tendência é que não haverá mais espaço para maquiagens, ou greenwashing. Não basta parecer uma empresa ESG, será necessário ser realmente ESG. Não basta ter uma ou duas iniciativas internas positivas para fazer publicidade se não há de fato uma estratégia autêntica para minimizar o impacto ambiental e social negativo do negócio”, afirma a especialista.

Ela explica, por exemplo, que não basta apresentar um plano “10 compromissos ESG para 2030” e jogar esse projeto para frente se a empresa não estiver fazendo nada concreto no meio do caminho. As empresas precisam olhar para sua estratégia e ver como os valores ESG se alinham com ela.

“Toda estratégia de empresa tem que estar ligada a isso. Não adianta ter fontes de energias renováveis e comprar de um fornecedor com lastro em trabalho escravo. Com a velocidade da informação e das mídias sociais qualquer deslize pode prejudicar uma empresa que não faça do ESG uma filosofia para crescer de forma sustentável”, aconselha a diretora de RI.

A especialista lista abaixo cinco dicas para empresas que querem montar uma estratégia concreta de ESG:

  1. Não comece do fim – A empresa não pode criar um plano de ESG para atrair um fundo ou com foco em metas imediatistas. O ESG tem que ser a espinha dorsal das discussões do board, tem que fazer parte da estratégia e ser transversal na empresa.
  2. Transforme a cultura – Uma vez que o ESG é prioridade na estratégia, é preciso transformar a cultura da companhia. O primeiro passo é fazer a avaliação, entender o que se tem de ESG e o que é necessário desenvolver. Depois, é importante entrevistar os membros do board, todos os stakeholders e entender o que é relevante para eles, porque muitas vezes o que é relevante para a empresa não é para os stakeholders. É preciso considerar o que é importante para empresa, cliente, investidor, órgãos reguladores.
  3. Hierarquize temas – Uma vez que se entende o que é importante tanto para a companhia como para os stakeholders, é preciso construir a Matriz de Materialidade (recurso que hierarquiza de forma estratégica os temas mais importantes relacionados às atividades de uma empresa, conforme a opinião de seus públicos de interesse).
  4. Não deixe no papel – Com a estratégia definida, a empresa deve trabalhar esses temas. Se o tema estratégico é o respeito à diversidade, por exemplo, é necessário saber não apenas a situação atual e as metas, mas o que está sendo feito, o que mais será feito e como será feito. Uma indústria farmacêutica, por exemplo, pode ter uma estratégia para águas e afluentes, com um tratamento diferenciado para os resíduos.
  5. Meça resultados – Finalmente, é importante reportar esses indicadores. E não só isso. É necessário seguir de forma contínua, buscando melhoria em todos os processos, mudando de direção quando houver falhas ou readequando as estratégias de acordo com a evolução da empresa e as exigências do mercado. E o mais importante, que todos os resultados estejam atrelados aos objetivos e bônus de todo o management.

É caro mudar? “Dentro de um processo de abertura de capital, não é caro”, explica Melissa. “Há um custo maior em termos de mudança de cultura do que de dinheiro. Mudar a cultura e ser disruptivo é um processo muitas vezes doloroso para as empresas. A mudança ESG é transversal, não acontece de uma hora para outra”.

“É importante notar que quando se busca melhoria nos processos ganha-se eficiência e, com ela, benefícios financeiros. Trabalhar com energia renovável ou com tratamento de água, por exemplo, traz ganhos financeiros no médio prazo, e traz maior valor para o acionista. Melhor ainda quando pensamos nos benefícios para a sociedade e para o ambiente, onde os ganhos são infinitos”, conclui a executiva. – Fonte e outras informações: (https://www.procapsgroup.com/home).