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Como formar alunos para profissões que ainda não existem?

em Destaques
quarta-feira, 06 de maio de 2026

IA pode criar até 170 milhões de novos postos de trabalho no mundo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial

Um dos paradoxos mais importantes do debate educacional é o avanço tecnológico acelerado que vem mudando o mercado de trabalho. Com isso, os educadores precisam entender como podem formar os estudantes para profissões que não existem hoje, mas podem surgir nos próximos anos.

De acordo com previsão feita, em 2025, pelo Fórum Econômico Mundial, 92 milhões de empregos existentes no mundo todo podem ser eliminados pela inteligência artificial até 2030 e ao mesmo tempo, a ferramenta também pode possibilitar o surgimento de 170 milhões novos postos de trabalho.

“Diante dessa incerteza, a missão da escola não é mais só transmitir conteúdos técnicos, é preciso formar indivíduos adaptáveis, resilientes e com domínio de habilidades universais. O foco deve migrar da memorização de informações para o desenvolvimento de competências que transcendem as especificidades de qualquer profissão atual ou futura, como o pensamento crítico e a criatividade”, explica o diretor-pedagógico do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio da Rede Alfa CEM Bilíngue, Rafael Galvão.

De acordo com o educador, o pensamento crítico capacita o aluno a analisar dados complexos, distinguir o relevante do superficial, avaliar a credibilidade de fontes, formular julgamentos e tomar decisões. Essa habilidade é capaz de diminuir a dependência passiva de respostas prontas para a resolução de problemas.

“A criatividade também se coloca como uma das principais moedas de valor no futuro do trabalho. É a capacidade de conectar ideias aparentemente díspares, inovar, gerar soluções originais e prosperar em cenários que a automação e os algoritmos não conseguem replicar. O incentivo ao erro construtivo e à experimentação é o que aperfeiçoa essa competência”, comenta Galvão.

Como fomentar a autonomia cognitiva?
A obsolescência do conhecimento acelerada pela tecnologia demanda que as escolas priorizem o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender. Esta autonomia, segundo o educador, é importante para buscar conhecimento, integrar novas informações e, mais importante, se reinventar profissional e pessoalmente ao longo da vida.

“Metodologias ativas são formas de fomentar essa autonomia cognitiva, com projetos que colocam o estudante como protagonista na resolução de desafios complexos, exigindo pesquisa, planejamento, execução, apresentação e resolução de problemas, que confrontam os estudantes com dilemas do mundo real, estimulando a colaboração, a comunicação e a capacidade de lidar com imprevistos, ambiguidade e falhas”, ressalta o diretor-pedagógico.

Atividades como essas também fomentam habilidades de gestão emocional e empatia, soft skills que viabilizam para os indivíduos a possibilidade de gerenciar o estresse das mudanças e construir relacionamentos interpessoais em ambientes de trabalho.

“O aluno deve ser ensinado a utilizar a inteligência artificial como uma ferramenta para otimizar tarefas, sem abrir mão do julgamento e da sensibilidade humana, assim como da capacidade de questionar e de criar significado e valor moral para o trabalho”, conclui o educador.

Dos scanners aos robôs. Novas profissões surgiram e muitas ainda serão criadas – Jornal Empresas & Negócios