Cinco dicas que um CEO não pode deixar de fazer em 2020

Filippo Di Cesare (*)

Na era digital, tudo muda de forma rápida e radical. Reflexo disso é a forma como o mundo dos negócios está atualmente, o que envolve desde a forma de se comunicar com o cliente, passando pela forma de como se inova, pelos tipos de concorrentes e, por fim, a orientação da tomada de decisões sob a ótica dos dados. Sim, os dados evoluíram: de simples ferramentas para tomada de decisões operacionais a elementos estratégicos do negócio.

Mas, a mudança mais profunda que tem tudo a ver com a chamada disrupção, termo frequentemente abordado quando tratamos de Transformação Digital, está relacionada à digitalização da cadeia de valor em que a empresa opera, que vai desde a criação do produto e, ou, serviço até a entrega ao cliente, além do pós-venda. Essa mudança proporcionou novos equilíbrios e novas relações de força entre os atores da cadeia de valor, resultando em modelos de estruturação sempre mais circulares e sempre menos linear.

Esses impactos profundos forçaram os CEO’s a pensarem sempre em como estar à frente da onda da mudança para entregar, continuamente, valor para o cliente. Diante deste cenário tão dinâmico, compartilho cinco dicas que um CEO não pode deixar de fazer:

  1. Foco no valor para o cliente – se até algumas décadas, o escopo principal do negócio era criar lucro para os acionistas, hoje o foco principal é criar valor para o cliente. Em um mundo que muda rapidamente e continuamente, é importante monitorar e antecipar as mudanças de valor que as inovações tecnológicas possibilitam para permanecer relevante e garantir um futuro brilhante à empresa.
    Trata-se de um elemento que tem que ser inserido no DNA da empresa que quer prosperar e sobreviver na era digital.

Pense no clássico exemplo do que aconteceu no mercado da música com o advento da digitalização e a difusão da internet. As novas plataformas digitais mudaram radicalmente a cadeia do valor na criação do conteúdo até a entrega ao cliente, criando um novo ecossistema com benefícios muito mais abrangentes, customizados e sob medida, tendo como resultado a mudança dos consumidores para proposta de valores melhores e novas.

É fundamental ter uma visão estrutural para o valor da oferta aos clientes e como as necessidades deles mudam com os avanços tecnológicos e os hábitos, isso ajuda a antecipar a adaptação.

  1. Foco na experiência do cliente – tendo claro qual é o valor que a sua oferta proporciona ao cliente, na era digital a competição tem muito a ver com a experiência do cliente. A era digital mudou completamente a estratégia de abordagem e relacionamento com o cliente, criaram-se customer networks, ou seja, os clientes se comunicando entre si, e o consumidor não recebe mais informações apenas pela empresa que produz o produto ou serviço, mas sim nas interações com outros consumidores por meio de plataformas digitais.

E pela chamada lei da experiência equivalente, a melhor experiência sempre vai ser uma referência pelo cliente, mesmo que proporcionada por outras empresas em outros segmentos. Por isso, o grande desafio de hoje é se reinventar visando não apenas os concorrentes simétricos do mesmo mercado, mas também a experiência proporcionada por empresas de setores completamente diferentes.

  1. Seja ágil – como falamos no ponto um, estamos em uma era caraterizada por ser volátil. Portanto, uma grande vantagem é ser uma empresa ágil. As mudanças acontecem rapidamente, então é importante saber surfar a onda, saber se reinventar acompanhando e antecipando as mudanças e se readaptando. Aqui, falamos de ser ágil e não de fazer ágil. Não é apenas adotar práticas e organização ágil, mas pensar de forma ágil.

A mudança de mindset é crucial. As empresas analógicas operavam em um mundo de planos e controles linear em um ambiente no qual era possível prever o futuro e a cultura era de poder ter o controle do ambiente e replicar as melhores práticas passadas. Mas, no mundo digital, o futuro é imprevisível e o foco passa de planejamento e controle para inovação, experimentação contínua e aprendizado continuo. Não se trata de replicar o passado, mas de criar um novo futuro que é mais próximo do que nunca.

  1. Seja Smart – ter uma visão clara dos objetivos estratégicos e de negócio é uma premissa fundamental para poder selecionar quais são os dados mais importantes de sua estratégia e, com isso, será possível desfrutar do poder dos dados, que é ter uma visão clara da direção e das decisões a serem tomadas. Para isso, é necessário adotar uma cultura orientada a dados como o centro da vida da empresa, além de arquiteturas, ferramentas e metodologias para produzir, obter e ler os dados do negócio.
  2. Seja orientado a plataformas – o modelo de negócio das plataformas impacta todos os setores. Plataformas como o da Airbnb, Facebook, Uber, entre outras são aquelas que criam valor facilitando interações direta entre dois ou mais tipos diferentes de clientes.
    Neste modelo, a plataforma tem o papel de facilitador de qualquer forma da relação, ela cria a experiência do serviço. Muitas das grandes empresas da era digital são baseadas em negócios de plataformas que garantem facilidade de adoção e uso, escalabilidade e velocidade.

São, de fato, modelos que não possuem os meios de produção, mas criam os meios de conexão, habilitando novas maneiras de resolver necessidades dos clientes . Em um mundo que está cada vez mais se movendo dos modelos de negócios lineares para a rede, os ecossistemas criam um papel no qual a escalabilidade, a velocidade, a omnicanalidade, as conexões e a experiência são sempre mais importantes.

Se você quer ver sua empresa decolar em 2020, utilize essas dicas estratégicas.

(*) – É CEO da Engineering Latam (Brasil e Argentina), companhia global de TI e Consultoria especializada em Transformação Digital.
(http://br.engineering).

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