Aumento das importações aponta para ‘reaquecimento econômico’

O crescimento pelo segundo mês consecutivo das importações brasileiras de bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção industrial) pode ser resultado de um reaquecimento da economia, avaliou ontem (2) Abrão Neto, secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio.

As compras de bens de capital por importadores brasileiros cresceram 34,5% na comparação com setembro do ano passado. A elevação ocorreu em áreas como veículos de carga, energia renovável e nos setores químico e de celulose.
“[O aumento] pode indicar uma tendência de recuperação dessa linha de importações, muito relacionada a investimentos. Nós confirmaremos essa tendência nos próximos meses”, ressaltou o secretário, ao destacar que também cresceram as importações de bens intermediários, outra categoria ligada ao aquecimento da economia. A alta foi de 15,1% ante setembro do ano passado. “O aumento está concentrado nas importações de bens intermediários e insumos em especial para a agropecuária, como fertilizantes e herbicidas, e também para a indústria dos setores químico e eletro-eletrônicos”, destacou.
O ministério divulgou ontem (2) os resultados da balança comercial em setembro, com registro de superávit de US$ 5,178 bilhões para o mês e de US$ 53,28 bilhões no acumulado do ano. Os dois números representam recorde para o período de análise. Abrão Neto destacou que o saldo positivo de setembro foi o oitavo recorde mensal consecutivo da balança este ano. Neto disse ainda que a previsão do governo federal, de que a balança encerrará com superávit acima de US$ 60 bilhões, deve ser revista. “Estamos atualizando nossa estimativa e devemos divulgar uma nova projeção em breve”, declarou.
O principal motivo para o bom desempenho da balança neste ano é o crescimento dos preços das commodities (produtos básicos, matérias-primas e combustíveis com cotação internacional). Também aumentaram as quantidades exportadas de alguns produtos. Abrão Neto atribuiu o superávit ao aumento da produção doméstica de petróleo, associada à recuperação do preço da commoditie no exterior. “[Houve] aumento muito positivo do lado das exportações, crescimento da produção interna e recomposição do preço. Há crescimento das importações, mas tem ocorrido em percentual inferior ao aumento das nossas exportações” (ABr).

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