As novas tecnologias para o setor de foodservice

Antônio Aguiar/Tombé (*)

Os Estados Unidos estão vivendo um sério problema com mão de obra e também de abastecimento. Em alguns restaurantes, é comum você ficar na fila de espera e notar que há diversas mesas desocupadas no salão. Isso por conta da falta de capacidade de atendimento. Na busca para reparar esse gap, estamos vendo entrar em cena a automatização dos serviços com o chamado RAAS (robot as a servisse).

Confesso que me surpreendi com as possibilidades, que vão desde os robôs programados para atuar nos procedimentos básicos da cozinha e máquinas de fazer sushi até o atendimento dos clientes. São robôs que salvam pedidos, carregam pratos, desviam das pessoas… Sabemos que essa é uma realidade ainda muito cara, mas os protótipos estão aí, dando os primeiros passos.

A tecnologia também entra nas despensas dos restaurantes, focando em produtividade e economia. Com a padronização dos processos, fica muito mais fácil atuar na redução do desperdício e conquistar previsibilidade de estoque. Gosto de reforçar que essa antecipação no abastecimento é muito significativa nos tempos atuais em que os preços dos insumos têm oscilado de forma tão impactante.

E os dados, os ativos mais valiosos dos dias de hoje, estão aí para serem explorados a favor do negócio. A partir da coleta e da análise, é possível conhecer a fundo o comportamento de compra e as preferências do consumidor. Assim, dá para personalizar as ofertas e ganhar em aderência. Outro ponto muito discutido é sobre os canais de venda online. A pandemia acelerou o delivery e fez com que o hábito de pedir comida em casa se consolidasse.

Porém, ficar refém dos grandes entregadores pode ser muito limitador e oneroso. Por isso, vemos um forte movimento do foodservice na busca por canais próprios. São aplicativos exclusivos de cada estabelecimento, vendas por WhatsApp, redes sociais e outros canais.

  • O consumo está diferente – Cada vez mais vemos as novas gerações pautando o jeito de consumir. Nesse sentido, é preciso ouvir esse público e entregar valor. As pessoas estão realmente preocupadas em comprar de empresas que tangibilizam o discurso da responsabilidade social. E no foodservice, o cuidado deve ir além dos produtos usados na cozinha.

Entram nessa conta a preocupação em evitar o desperdício, o reaproveitamento de insumos, o respeito ao meio ambiente, o descarte de lixo e outras questões socioambientais. E tem até tecnologia atrelada à forma de consumir. Pensando principalmente nas gerações Alfa e Z, já estão em prática experiências de consumo ligada aos jogos eletrônicos. Pedir algo para comer via plataformas de game já é uma realidade. Um passo para o mergulho no metaverso, que está batendo à porta.

  • Jornada orquestrada – Reforço aqui mais um papel fundamental da tecnologia pensando no omnichannel. A necessidade agora é integrar os canais de venda de um estabelecimento. Mais do que nunca, a cozinha precisa estar preparada para atender ao mesmo tempo quem está no salão e o pedido que acaba de chegar pelo site, telefone, aplicativo…

Tudo precisa ser orquestrado para que o atendimento seja excelente independentemente do canal escolhido. O desafio é proporcionar a mesma experiência transacional para o mundo físico e a mesma experiência sensorial para o mundo digital.

E em relação às entregas, é válido também criar esse alinhamento, que vai facilitar as rotas e reduzir os custos. Imagine que chega um pedido para entrega via app e outro por WhatsApp, ambos para a mesma região. A ideia é que eles estejam integrados e possam ter suas rotas programadas em conjunto.

  • Sabor e saúde passaram a andar juntos – Como esperado, o plant based vem ganhando o mundo, não só no mercado voltado para o veganismo, mas também para a saudabilidade. Já há uma quantidade enorme de empresas produtoras de carne, ovos, peixe e outros à base de plantas.

E, cada vez mais, os restaurantes estão entendendo que, independentemente do segmento em que atuam, é fundamental sempre ter no cardápio um prato ou alguns produtos que atendam ao público que prefere esse tipo de alimentação. Ampliar o leque é o caminho para atrair diversos nichos.

O futuro do foodservice é centrado no cliente, amparado em tecnologia, inovação e responsabilidade. Conhecer o seu cliente é fundamental para o sucesso do negócio, mas destaco nessa jornada, a importância do consumidor que recebe o voucher como benefício para sua refeição diária.

Esse é um dinheiro carimbado, então temos um comportamento de uso certo, com muita disponibilidade para esses clientes de aderirem ao consumo de alimentos fora do lar.

(*) – É Diretor de Estabelecimentos da Sodexo Benefícios e Incentivos.

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