Algoritmo: mocinho ou vilão da Era Digital?

De acordo com o report da ‘We Are Social e da Hootsuite’, o Instagram já é a 3ª rede social mais usada no Brasil em 2022, com cerca de 122 milhões de usuários. No ranking mundial, os brasileiros só perdem para o Estados Unidos no índice de pessoas ativas nesta rede social.

Além disso, segundo um levantamento da Opinion Box, 58% dos usuários já compraram algum produto indicado por um influenciador e 55% já usou o aplicativo para conversar com empresas. Tudo isso evidencia um fato: o Marketing Digital deixou de ser apenas um diferencial e se tornou uma requisito para que empresas ou profissionais de diferentes segmentos consigam crescer.

No entanto, uma coisa que causa dúvidas diárias e até receio em quem precisa utilizar as redes sociais para vender ou criar credibilidade é o famoso algoritmo. Afinal, ele está ali para ajudar ou atrapalhar os negócios?

  • As mudanças causadas pela pandemia – O estrategista e especialista em Marketing Digital, Fábio Pontes (*), conta que, com a pandemia de Covid-19, diversas marcas perceberam que não era necessário apenas ter uma interface de usuário conveniente e criar conteúdo para atrair os usuários a consumir seu produto.

Eles perceberam que também seria importante obter uma forma original para cativar e prender a atenção do público. A princípio, eles viram que uma das melhores maneiras de fazer isso era ao trabalhar com YouTubers, devido ao número crescente de pessoas consumindo vídeos curtos, muitas vezes sem nexo, para entretenimento rápido.

Nesse momento, a guerra estava travada. Fábio destaca que, em meio ao isolamento social, o TikTok se tornou uma “febre” ainda maior do que já estava se tornando. Isso não só pelo formato de vídeos curtos, mas pela forma dinâmica de criar conteúdo com reações, parcerias – as chamadas “collabs” – e pelo bom alinhamento com a indústria fonográfica.

Porém, apesar de tudo isso, o Instagram ainda era o lugar para ser reconhecido como influenciador (agora, chamados de “embaixadores”). Então, o mais prático era criar conteúdo usando todas as ferramentas do TikTok e repostar no Instagram.

  • A estratégia do Instagram – Fábio explica que para lidar com a concorrência, foi necessário limitar o alcance orgânico de vídeos com marcas d’água de outras plataformas. E isso não funcionou muito bem. Como o TikTok cresceu em popularidade ao longo do tempo, o Instagram decidiu fazer um esforço extra para manter os usuários na plataforma.

Eles iniciaram o formato de IGTV. Mas a verdade é que os usuários não tiveram muitos resultados com isso. Já no ano passado, com o crescimento do reels, foi possível observar que o Instagram se tornou mais dinâmico, ou seja, uma espécie de TikTok. A rede até afirmou que não era mais um aplicativo de compartilhamento de fotos.

Porém, o que todas essas ações têm em comum? Nenhum deles realmente se concentra nos criadores de conteúdo ou em sua experiência com a plataforma. Era, basicamente, fazer apenas aquilo que o concorrente já estava fazendo – mais do mesmo – e usar o nome da marca para ficar no topo.

  • Novos tempos – Fábio ressalta que, em poucos anos, os tempos mudaram. Não estamos em 2018 e essa estratégia já não está mais funcionando. Depois de finalmente entender isso, o Instagram decidiu atualizar seu algoritmo para priorizar os conteúdos originais. Apesar de parecer ser um pequeno passo para o Instagram, por outro lado é uma grande mudança para o mercado.

Isso também é um bom termômetro para ver se a maioria dos vídeos estão sendo editados fora da plataforma, o que significa que as ferramentas de edição do Instagram devem ser aprimoradas. Portanto, podemos esperar alguns anúncios relacionados a essa nova atualização do algoritmo. Muito provavelmente, teremos mudanças ainda maiores em um futuro próximo.

(*) – É CEO da FP.Consulting (@fp.consulting).

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