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5 pilares que geram valor e conexão na experiência do consumidor com produtos

em Destaques
quinta-feira, 06 de novembro de 2025

Eduardo Abichequer (*)

Na era da experiência, o produto deixou de ser apenas um meio para satisfazer necessidades e passou a ser parte fundamental da conexão entre marcas e consumidores. Mais do que funcionalidade, espera-se que ele carregue propósito, provoque sensações e reforce valores. Seja pela inovação, pelo design ou pela sustentabilidade, produtos bem concebidos são capazes de transformar interações pontuais em relacionamentos duradouros, impactando diretamente na percepção de valor, na fidelização e na construção da identidade da marca.

Na minha visão, o design e os atributos de um produto são determinantes na percepção de valor. Elementos como conforto, sustentabilidade e usabilidade não são apenas “detalhes funcionais”, mas sim fatores que o consumidor traduz em status, propósito e confiança na marca. Esses atributos não apenas resolvem necessidades práticas, mas elevam o produto a um símbolo de propósito e estilo de vida, justificando sua percepção de valor além do preço. O design e os atributos, nesse contexto, são os primeiros pontos de contato. Mas o valor real aparece quando a experiência de uso confirma a promessa. Um produto bonito, que funciona bem, respeita o meio ambiente e faz sentido no dia a dia do consumidor gera conexão. E é essa conexão que transforma um produto em marca.

Diferencial competitivo em mercados saturados: como se destacar?
Como reforça Donald Norman no livro The Design of Everyday Things, produtos que combinam usabilidade, estética e significado conseguem transcender a função prática e se tornar parte da vida das pessoas. Esse equilíbrio é o que sustenta a lealdade do consumidor.

As empresas usam inovação de produto como arma competitiva em mercados saturados justamente porque o consumidor já tem opções de sobra. A diferença não está só em lançar algo “novo”, mas em mostrar por que essa inovação faz sentido na vida da pessoa.

  1. Inovação como arma: disputar atenção em mercados cheios exige novidade relevante;
  2. Sentido para a vida real: não basta ser “novo”; a inovação precisa gerar relevância prática e responsabilidade ambiental;
  3. Histórias que conectam: traduzir a inovação em narrativas que mostrem impacto positivo e melhorem o dia a dia;
  4. Preço e fidelidade: diferenciação bem comunicada ajuda a justificar valor e retenção;
  5. Comunicação simples e emocional: evitar excesso técnico e focar no benefício real.

Investir em experiências centradas no consumidor não é apenas uma boa prática, é estratégico. Segundo a Deloitte, empresas que colocam o cliente no centro de suas decisões são 60% mais lucrativas, mostrando que criar valor e conexão, como propõem os cinco pilares acima, impacta diretamente no desempenho e na sustentabilidade do negócio.

O maior desafio de criar produtos que encantem vai além de atender uma função. É conseguir unir desempenho, estética e significado. Encantar exige empatia profunda: entender desejos, o que o consumidor nem sempre sabe colocar em palavras. E gerar conexão emocional pede consistência, não adianta o produto ser incrível se a experiência de compra, a comunicação e até o pós-venda não reforçam essa mesma essência. É esse alinhamento entre o tangível e o intangível que transforma um produto em algo memorável.

Isso não se faz com fórmulas prontas. É uma construção cuidadosa, que começa com cultura de produto forte e termina na ponta da experiência.

(Fonte: CEO e co-fundador da Yuool, uma das maiores startups brasileiras de tênis confortáveis e sustentáveis).