Por um voto, uma nova capital

em Heródoto Barbeiro
quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Heródoto Barbeiro (*)

Tirar a capital do litoral é um sonho tão velho como a independência do Brasil. Desde que se iniciou a colonização portuguesa, a capital administrativa foi dividida entre as cidades de Salvador e do Rio de Janeiro.

Em meio aos defensores dessa mudança estava o Patriarca, José Bonifácio de Andrada e Silva. Entre os argumentos mais fortes estavam a extensão do território nacional e a concentração da população no litoral. O interior era completamente despovoado e até corria o risco de ser ocupado por um vizinho sul-americano.

A saída seria mudar a capital do Império do Brasil para o centro geodésico do país. Com isso se esperava aproveitar a imensidão territorial, distribuir terras para imigrantes, como aconteceu nos Estados Unidos, e desenvolver a região. Não se sabe exatamente o local da nova capital, mas não devia estar muito longe de Brasília.

A ideia de transferir a capital chega ao estado de São Paulo.

Mudancistas dizem que a proposta é de 1810, antes mesmo da tentativa do Patriarca. O populista da época que governava o estado abraça o projeto e parte para a aprovação na Assembleia Legislativa. Seu mote de campanha é chegar em 1980 com uma cidade nova para chamar de sua, ainda que isso custe um buraco gigantesco nos cofres de São Paulo.

É autofinanciável, diz o governador, vai gerar empregos, investimentos e desafogar a cidade de São Paulo. Para isso precisa de votos na Assembleia.

Com o passar do tempo, a mudança da capital para o interior enfrenta forte oposição. O custo é alto e será bancado pelo contribuinte.

Ninguém sabe exatamente onde será implantada, se em algum município já existente, ou se será necessária a fundação de um novo. Até a Constituição deixa clara a determinação da mudança para o interior.

A imprensa e a oposição política batem forte no chefe do Executivo. Uns o acusam de ser megalomaníaco. Outros suspeitam que ele e seu grupo político têm terras na região escolhida. O fato é que a decisão cabe à Assembleia Legislativa de São Paulo.

A bancada governista é forte, mas o número de votos para a aprovação do projeto é maior. É preciso convencer deputados da oposição a apoiarem a iniciativa do governador e para isso ele está disposto a negociar. As suspeitas estão nas páginas dos jornais e noticiários; os debates em plenário da Assembleia, cada vez mais ruidosos.

A oposição traz manifestantes para vaiar e pressionar os políticos.

Aos trancos e barrancos o projeto vai a votação. Perde por um voto e o governador Maluf, entusiasta da mudança, é derrotado.

(*) – É professor e jornalista, âncora do Jornal Novabrasil, colunista do R7, do Podcast. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e midia training. Canal no Youtube (www.herodoto.com.br).

*******************************************************************

Prezado(a) leitor(a),

Gostaríamos de convidá-lo(a) a participar de uma breve pesquisa. Suas respostas nos ajudarão a entender melhor o perfil de nossos leitores e a direcionar nossos esforços para oferecer o melhor jornalismo de negócios.

PESQUISA JORNAL EMPRESAS E NEGÓCIOS