Por debaixo dos panos

em Heródoto Barbeiro
quinta-feira, 04 de setembro de 2025

Heródoto Barbeiro (*)

Ele é conhecido pela facilidade com que está sempre ao lado do poder. Tão fácil como tira um casaco e logo veste outro, muda de posição.

É capaz de abandonar uma concepção que defendeu com unhas e dentes e logo se agarrar em outra. Acostumou-se a agir na sombra, sem o desejo de estar na primeira fileira do poder. No bastidor, é capaz de mudar o rumo das decisões dos partidos políticos e até mesmo do governo.

Age sempre por debaixo dos panos. O ego está totalmente sob controle.

O que importa é mandar. E ter quem obedeça. No bastidor, é chamado de cínico e imoral.

Trocar de ideologia, de programa político e de aliados exige inteligência e também o preparo estratégico das mudanças. Virar a página do passado e começar a escrever uma nova em que defende seus novos aliados. Não importa o que falarão dele, se a história poderá ou não condená-lo.

Acredita que boas propinas, cargos públicos e jantares com a elite nacional fazem milagres com os historiadores e cronistas. É necessário entender que eles precisam de condições materiais para continuar suas pesquisas e escrever os seus livros. Graças a sua bolsa e matreirice, sua biografia em nenhum momento é apresentada como a de um traidor da pátria.

Viver à sombra dos poderosos, estejam onde estiverem. É um fruto da revolução mais importante da história da humanidade que promete igualdade, liberdade e fraternidade.

Ocupou o cargo de ministro quatro vezes, servindo regimes antagônicos. Deveria ter seguido carreira militar, mas tem uma anomalia no pé, o que o impede de marchar no Exército nacional. Foi expulso do seminário, mas habilmente nomeado abade.

Charles-Maurice, mais conhecido como Talleyrand, um passageiro pelo absolutismo, liberalismo, bonapartismo e de volta ao absolutismo.

Representando a França derrotada no Congresso de Viena de 1815, tem presença marcante entre as potências vitoriosas. Não vacila em apoiar, contra os grandes proprietários de terras das colônias francesas na América, o fim do tráfico de escravos negros africanos.

E obtém o apoio de Portugal, o país com grande número de traficantes alojados no Brasil.

(*) – É professor e jornalista, âncora do Jornal Novabrasil, colunista do R7, do Podcast. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e midia training. Canal no Youtube (www.herodoto.com.br).

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