Marcha sobre a Capital

Heródoto Barbeiro (*)

O movimento é contra o governo liberal democraticamente instituído. Afinal o pais tem liberdade de imprensa, liberdade de ir e vir e de associação política de toda ordem.

Ninguém pode negar que o regime é democrático e as regras para a ascensão ao poder são claras e estão estabelecidas na constituição. O clima político não é dos mais pacíficos e as acusações partem de ambos os lados. Um acusa ou outro de querer implantar uma ditadura no país acabar com o Estado Liberal que impera.

Para isso a direita tem um líder fleugmático, carismático e que prega uma mudança no país, que vive ao meio de uma crise econômica provocada por questões internas e externas, e que reflete especialmente nas camadas mais pobres da população. Há no ar uma vontade de mudança, mas não se sabe muito bem para onde.

É um momento de indecisão nacional e as fórmulas políticas mais confundem do que esclarecem a população. Deputados e senadores degladiam no parlamento. O panorama é de radicalismo entre a direita e a esquerda. Esta está fortalecida pelo exemplo da revolução que aconteceu sob a liderança dos bolchevistas na Rússia.

Os slogans são os mesmos do movimento liderado por Lênin e Trótsky: fim da propriedade privada dos meios de produção, ditadura do proletariado, fim a exploração do homem pelo homem, limitação da liberdade de imprensa, expressão e escolha religiosa, entre outras. Essa plataforma deixa a burguesia nacional temente de perder os seus bens, sejam eles fábricas, bancos ou propriedades rurais.

Os grupos de esquerda estão cada vez mais fortes e vão dos comunistas aos sociais democratas. A guerra também é travada nos meios de comunicação e com demonstrações, passeatas e confrontos entre os grupos nas maiores cidades do país. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer apesar do chefe de estado proclamar exaustivamente que o pais é democrático e de forma alguma vai se permitir a implantação de uma ditadura, seja ela de direita ou de esquerda.

A questão central que se coloca é: é possível trocar o governo ? De onde parte a maior ameaça à ordem constitucional ? O líder da direita incentiva uma marcha de seus apoiadores à capital do país. São das mais diversas origens sociais e incentivados pelos que temem a ascensão da esquerda ao poder. São conhecidos pela truculência e pregam a tomada do poder pela força, como seus opositores comunistas.

Roma se ver cercada por grupos vindos especialmente do norte da Itália, conhecidos como Camisas Negras. Benito Mussolini, um ex-socialista, lidera os grupos auto intitulados Fascio di Combattimento, o núcleo para a formação do Partido Nacional Fascista. À princípio não advogam uma revolução, mas sim a nomeação pelo rei da Itália, Victor Emanuel, de Mussolini primeiro ministro. É o que acontece.

Mussolini, Il Duce, assume o posto de forma democrática, porem em menos de três anos de governo, implanta uma ditadura de extrema direita em 1925. Seu programa de governo inspira vários outros países do mundo, inclusive o Brasil. O sistema liberal abre uma brecha para sua própria destruição na Itália, exemplo que logo depois eleva como primeiro ministro da Alemanha Adolf Hitler.

(*) – É editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma (www.herodoto.com.br).

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