Heródoto Barbeiro (*)
O presidente chega ao final do seu mandato com altos índices de popularidade.
É um indicativo de que seu partido tem amplas possibilidades de continuar no poder. Fatos não faltam. A propaganda oficial vende ao público a ideia de que o Brasil vive uma evolução sem precedentes em sua história. Fábricas, estradas que cortam o país de Norte a Sul, modernização dos portos e aeroportos, além da conquista do Oeste. O chefe de Estado tem boas relações com jornalistas e empresas de mídia. A imprensa não poupa reportagens sobre as grandes obras do governo, publicadas em branco e preto nos jornais e em cores nas revistas de circulação nacional.
Os anúncios do governo ocupam espaços publicitários na mídia impressa, na televisão e nas emissoras de rádio que chegam a todos os rincões do Brasil. Os analistas políticos apontam que o presidente não tem um opositor à sua altura e deve eleger seu sucessor.
A propaganda oficial não poupa a divulgação do crescimento econômico do país, apoiado em uma política nacional-desenvolvimentista, ou seja, em um casamento entre o capital estatal e o privado – nacional e internacional.
Com isso, o governo conta com o apoio dos partidos de esquerda, que estão de olho no interesse americano pelas riquezas nacionais, especialmente pelos minérios de que o Brasil é rico. Os investidores estrangeiros se sentem seguros para investir em novas fábricas, especialmente na indústria automobilística.
Há projetos populares com promessas de crescimento econômico, aumento da oferta de empregos e maior distribuição de renda. Ele e sua família usam e abusam dos voos em aviões da FAB e ninguém ousa perguntar quanto isso custa ao pagador de impostos.
As finanças públicas estão deterioradas e o presidente simplesmente ignora as principais recomendações do Fundo Monetário Internacional, como o controle da inflação e a redução do endividamento interno e externo. Isto culmina no rompimento do Brasil com o FMI, o que conta com o apoio dos partidos de esquerda.
Para a próxima eleição, não há nenhum líder tradicional da política com condições de chegar à Presidência da República, a menos que surja uma liderança inesperada. Juscelino Kubitschek prepara Brasília, terceira capital do Brasil, depois de Salvador e do Rio de Janeiro, para fazer a transferência da faixa presidencial. Seria o auge de sua passagem pelo governo: a Capital da Esperança, a conquista do Oeste e o crescimento de 50 anos em 5.
Mas, no meio do caminho, havia um populista; um populista no meio do caminho: Jânio Quadros, armado de uma vassourinha para varrer a corrupção.
(*) – É professor e jornalista, âncora do Jornal Novabrasil, colunista do R7, do Podcast. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e midia training. Canal no Youtube (www.herodoto.com.br).

