
Fabiana Monteiro (*)
Uma trajetória inspiradora de superação, propósito e liderança guiada pela empatia.
Paixão, coragem e empatia sempre foram os pilares que moldaram a trajetória de Claíse Müller Rauber, conselheira no Banrisul Seguridade e referência em liderança humanizada. Ela acredita que o verdadeiro sucesso está em inspirar outras pessoas a estudar, crescer e contribuir para um país melhor.
Para Claíse, sucesso é sinônimo de dedicação, resiliência e humildade para recomeçar. É saber dar dez passos para trás quando necessário e continuar, aprendendo com os tropeços e celebrando o crescimento. “Só se chega ao sucesso praticando a empatia, ouvindo mais do que falando e compreendendo o outro”, afirma. Liderar, para ela, é unir pessoas por um propósito comum e convencer pelo exemplo.
Nascida em uma família humilde do interior de Santa Catarina, filha de um construtor e de uma dona de casa com saúde frágil, Claíse aprendeu cedo o valor da responsabilidade. Aos 15 anos, começou a trabalhar em uma loja de roupas e depois em uma loja de móveis, onde desenvolveu seu fascínio pelos números. Determinada, sonhava em ser bancária — e transformou esse sonho em realidade em 1988, quando ingressou no banco após seis anos afastada dos estudos.
Enquanto conciliava trabalho, vestibular e faculdade de Ciências Contábeis, construiu também sua família. Casou-se, teve duas filhas e não parou de buscar novos desafios. Cada mudança de cidade foi um recomeço. Com esforço e foco, ascendeu de caixa a cargos de liderança, sempre acreditando que as oportunidades aparecem para quem se prepara. Em 35 anos de carreira, ajudou a estruturar novas áreas, liderou equipes e participou de projetos estratégicos que exigiram coragem e fé.
Para Claíse, a boa liderança se faz com exemplo e diálogo. Ela sempre acreditou na força das equipes felizes — “quem está bem, entrega mais”. Nunca buscou poder, mas a realização coletiva. Perfeccionista e organizada, valoriza o equilíbrio entre trabalho e família. Mesmo em períodos de intensa agenda, mantinha o hábito de chegar em casa às 18h para tomar chimarrão com o marido e as filhas. “Pequenos gestos preservam grandes vínculos”, costuma dizer.
O mundo corporativo, lembra Claíse, ainda impõe desafios às mulheres. Em um ambiente majoritariamente masculino, precisou aprender a se impor com empatia e inteligência emocional. Para ela, liderar não é ter poder, e sim mais responsabilidade. O respeito se conquista com conhecimento, postura e coerência. “Bons líderes não se impõem pela força, mas pela consistência e pelo exemplo.”
Em tempos digitais, ela defende o resgate do contato humano. A tecnologia é uma aliada, mas ouvir a voz de alguém ainda faz diferença. Um bom líder, acredita, é aquele que envolve o time, faz com que todos se sintam pertencentes e valoriza as diferenças. A comunicação empática, para ela, é o alicerce de toda equipe vitoriosa.
Claíse costuma dizer que o brilho nos olhos é indispensável. Valoriza pessoas com iniciativa e, sobretudo, com “acabativa” — quem começa e termina com dedicação. Incentiva o aprendizado contínuo, a curiosidade e a alegria no trabalho. É entusiasta da leitura e recomenda o livro Conversas Cruciais, de Kerry Patterson, por ensinar a dialogar com firmeza e respeito — virtudes essenciais à liderança moderna.
Aos jovens, Claíse deixa um conselho direto: “Levantem da cadeira e traçem objetivos. Trabalhar e estudar fazem parte da vida e ninguém trilha o caminho por você. O sucesso não é sorte, é construção diária feita de escolhas e propósito.”
Hoje, aposentada do banco e atuando como conselheira da corretora de seguros, Claíse segue aprendendo, lendo e viajando. Planeja cada nova etapa com entusiasmo e gratidão. “Cheguei até aqui colocando amor em tudo o que fiz — sendo firme, sem deixar de ser doce.”
Para ela, o verdadeiro sucesso é aquele conquistado com empatia.
(*) Chairman, CEO da Editora Global Partners – Affiliated to Institute of Coaching at McLean Hospital, associate Harvard Medical School – (ICPA). Conselheira de empresas.



