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Quiet cracking: quando o silêncio quebra confiança

em Denise Debiasi
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Você já ouviu falar em quiet cracking? Eu vejo esse fenômeno crescer quando profissionais permanecem na empresa, mas perdem energia, esperança e voz. Os números mostram a urgência: 54% dos trabalhadores se reconhecem nesse quadro, o engajamento global caiu de 23% para 21% em um ano e a produtividade perdida já soma cerca de US$ 438 bilhões.

Quando esse cenário se instala, eu não enxergo apenas um problema de gestão; vejo uma questão de integridade. Se você tem equipes que “aparecem” mas sofrem em silêncio, a organização precisa responder com princípios, não só com processos. A ética do cuidado exige que líderes reduzam a distância entre discurso e prática: transparência nas expectativas, suporte real ao desenvolvimento, respeito a limites saudáveis e reconhecimento de esforço. O risco de burnout não é um desvio individual; é um sinal de contexto.

As raízes mais frequentes estão claras: falta de treinamento, papéis mal definidos, sobrecarga, isolamento, medo da IA e sensação de carreira parada. Tudo isso corrói confiança e performance.

Minha visão é direta: sem segurança psicológica, qualquer iniciativa de produtividade fracassa. E segurança psicológica não nasce de campanhas internas; nasce de decisões. Decidir ouvir antes de julgar. Decidir priorizar clareza antes de cobrar velocidade. Decidir equilibrar metas com capacidade real.

O que eu proponho a você, líder ou profissional de Compliance:

  • Traga o tema para o centro da governança: inclua bem-estar e engajamento no mapa de riscos, com indicadores e responsáveis.
  • Dê previsibilidade: atualize descrições de função, alinhe objetivos trimestralmente e torne públicos os fluxos de decisão.
  • Transforme aprendizado em rotina: microaulas e horas protegidas para treinamento contam mais do que slogans sobre “aprender sempre”.
  • Repare a sobrecarga: elimine trabalho de baixo valor, distribua tarefas com justiça e institua “dias de foco” sem reuniões.
  • Fortaleça vínculos: mentoria entre pares, check-ins individuais e canais anônimos de escuta evitam que o sofrimento fique invisível.
  • Fale claro sobre IA: explique o que será automatizado, ofereça capacitação e crie pilotos com participação do time.
  • Reenquadre a performance: sinais de queda viram convite para conversa, não punição automática. Integridade se prova no cuidado com quem mais precisa.

Quiet cracking é, no fim, um índice de confiança. Se você atua com coerência, a energia volta; se finge que não vê, o silêncio se espalha. Eu escolho tratar o tema como compromisso ético: fazer do trabalho um lugar em que as pessoas podem falar, aprender e crescer — e em que resultados sustentáveis nascem dessa coerência diária. Você pode começar hoje, com uma pergunta simples a alguém do seu time: “Notei mudanças. Como posso ajudar?”

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Denise Debiasi é CEO da Bi2 Partners, reconhecida pela expertise e reputação de seus profissionais nas áreas de compliance e inteligência investigativa, finanças corporativas, consultoria regulatória (AML, BSA e LGPD), contabilidade forense, Due Diligence (financeiro, reputacional, investigativo e operacional), investigações corporativas, antilavagem de dinheiro, FCPA e anticorrupção, entre outros serviços de primeira importância em mercados emergentes.