
Recentemente, acompanhei a formalização da decisão de adequação mútua em proteção de dados entre Brasil e União Europeia. A notícia marca um avanço relevante: os dois sistemas jurídicos passam a reconhecer que oferecem níveis equivalentes de proteção aos dados pessoais, permitindo a livre circulação dessas informações com mais segurança jurídica e menos barreiras operacionais.
Esse reconhecimento não surgiu por acaso. Ele reflete um processo de amadurecimento institucional, em que a Lei Geral de Proteção de Dados se aproxima dos padrões do GDPR europeu. Na prática, empresas passam a operar com menos burocracia nas transferências internacionais, já que deixam de depender, em muitos casos, de mecanismos adicionais como cláusulas contratuais específicas.
Mas é aqui que eu te convido a ir além da celebração. A adequação não é um selo permanente de excelência. Ela é, na verdade, um compromisso contínuo. Quando uma organização interpreta essa conquista como ponto de chegada, corre o risco de transformar governança em formalidade — e não em prática viva.
Na minha visão, o maior ganho dessa decisão está na mensagem implícita: confiança virou ativo estratégico. E confiança não se sustenta apenas com leis bem escritas, mas com comportamento consistente. Isso significa investir em cultura organizacional, em accountability e em decisões éticas no tratamento de dados, inclusive quando não há fiscalização direta.
A reportagem também destaca o fortalecimento institucional da autoridade brasileira e o alinhamento com padrões internacionais. Esse ponto é relevante, porque mostra que a credibilidade não está apenas na norma, mas na capacidade de aplicá-la. E é justamente nesse espaço, entre o que está escrito e o que é praticado, que o Compliance se torna determinante.
Você, que atua ou se relaciona com esse tema, precisa se perguntar: sua organização trata dados como obrigação regulatória ou como elemento de confiança? A diferença entre essas duas abordagens define não apenas o nível de risco, mas também o posicionamento competitivo no mercado global.
A adequação abre portas. Mas manter essas portas abertas depende de disciplina, coerência e visão de longo prazo.
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Denise Debiasi é CEO da Bi2 Partners, reconhecida pela expertise e reputação de seus profissionais nas áreas de compliance e inteligência investigativa, finanças corporativas, consultoria regulatória (AML, BSA e LGPD), contabilidade forense, Due Diligence (financeiro, reputacional, investigativo e operacional), investigações corporativas, antilavagem de dinheiro, FCPA e anticorrupção, entre outros serviços de primeira importância em mercados emergentes.
Ética que sustenta resultados – Jornal Empresas & Negócios



