Ana Luisa Winckler (*)
Toda organização carrega seus próprios contos de fadas.
Mas, ao contrário do que a gente gosta de contar nos eventos de final de ano, nem sempre são histórias com finais felizes.
Esta semana, enquanto eu relia a história de Pinóquio (sim, a original, aquela bem menos fofinha do que a versão da Disney), fui desenhando, sem querer, um paralelo entre os personagens da fábula e os papéis invisíveis que muita gente ainda interpreta nas corporações.
E aí vai o plot twist: Não é só o colaborador que vira Pinóquio. A liderança inteira, em algum momento… também já foi feita de madeira.
Os Personagens Que A Gente Não Percebe Que Está Interpretando:
Pinóquio – O colaborador com medo de desagradar. Que diz “sim” pra tudo, entrega o que não pode, mascara falhas e aprende, desde cedo, que errar é imperdoável. Resultado? Uma cultura de faz de conta onde os KPIs são atingidos no Excel, mas não na realidade.
Gepeto – O líder construtor… ou o líder que projeta. Que tenta moldar o time à força, esculpindo o que gostaria de ter, mas nem sempre escutando o que o time realmente é.
O Grilo Falante – A consciência organizacional que muitas vezes foi silenciada. Aquele colega que tenta puxar a conversa honesta… mas que aprende que grilo que fala demais, acaba sem convite pra reunião de planejamento.
A Fada Azul – A falsa cultura de encantamento. Aquela liderança que prega segurança psicológica, mas que ainda pune o erro com o olhar, com a ausência, com a próxima avaliação de desempenho.
A Baleia – O projeto impossível. A meta irreal. O trimestre que engole tudo. O lugar onde a verdade vira silêncio e todo mundo só reza pra sair vivo no Q4.
O Mestre das Marionetes – O microgerente. Aquele que puxa todos os fios, decide todas as falas, mede cada movimento. No fundo, mais medo de perder o controle do que vontade de desenvolver gente.
O Nariz Que Cresce: Quando a Cultura Vira Cenário
A psicologia organizacional já mostrou: ambientes de baixa segurança psicológica geram silêncio, medo e omissão.
Amy Edmondson chama isso de zona de perigo psicológico.
Brené Brown fala da falta de espaços reais pra vulnerabilidade com propósito.
A Liderança Prismática (essa que me acompanha e que tenho o privilégio de construir com tantas lideranças por aí) lembra que ninguém vira gente de verdade enquanto a conversa continuar sendo feita de madeira.
Quando o feedback é evasivo, quando o erro é punido com afastamento emocional, quando o elogio vem sempre com manual de instruções… o que cresce não é só o nariz. Cresce a distância entre o que a gente fala e o que a gente vive.
E Agora?
O maior desafio hoje não é ensinar liderança.
É desensinar o medo.
É devolver ao Grilo Falante o direito de falar.
É dar ao Gepeto a humildade de escutar antes de moldar.
É mostrar ao Pinóquio que ser imperfeito faz parte da jornada de quem quer virar gente de verdade.
Isso tem método. Tem teoria. Tem caminho.
E tem gente disposta a ajudar nisso (👋).
Se a sua organização quiser sair do teatro de marionetes e começar um roteiro mais humano e mais verdadeiro… deixe seus comentários!
Enquanto isso… a pergunta fica:
Você é líder… ou ainda está só interpretando o papel?
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(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.
