A IA responde. E você, o que faz com as respostas?

em A Mente do Cliente
terça-feira, 02 de dezembro de 2025

Neiva Mendes (*)


Diariamente, eu participo de reuniões e apresentações para esclarecer dúvidas, mostrar resultados e alinhar expectativas. O tema é sempre o mesmo: inteligência artificial. E, invariavelmente, as perguntas também.

Elas chegam organizadas, quase como um roteiro obrigatório para qualquer fornecedor que se apresente como “Movido por inteligência artificial” e a Blue6ix orgulhosamente é:

“Que modelo vocês usam: GPT-4, Claude, modelo próprio? Os dados do cliente são usados para treinar o sistema? Há risco de vazamento? A IA é realmente generativa ou só busca informações? É possível auditar as respostas? Existe intervenção humana?  Há métricas de precisão? O que, afinal, é feito pela IA e o que é apenas automação disfarçada?”


São perguntas totalmente legítimas, que refletem a maturidade técnica de quem aprendeu, a duras penas, que confiar cegamente em tecnologia é um erro caro. Nós, da Blue6ix, respeitamos muito isso. Passamos por validações, provas de conceito, testes de segurança, atestados de capacidade técnica, revisões, negociações de propostas técnicas, e este é um processo complexo e correto. Mas há uma pergunta que quase nunca é feita e que deveria vir antes de todas as outras: O que você faz com as respostas que a IA entrega? Porque é aqui que, como dizia meu avô, ‘a porca torce o rabo’.

Após toda a etapa técnica e do grande esforço feito em prol da inovação, o que vemos com frequência é uma paralisia disfarçada de cuidado. Times que recebem dashboards complexos com dezenas de indicadores e análises parrudas que continuam decidindo “pela percepção”. Departamentos que dizem querer agilidade, mas travam em reuniões intermináveis para discutir detalhes que poderiam ser tratados por e-mail, ou mesmo debater quem será o dono da ideia.


A IA entrega. Mas quem executa? A verdade é que nenhum modelo resolve o que a cultura da empresa não está preparada para aceitar. Já testemunhei projetos brilhantes naufragarem não por falhas técnicas, mas por egos inflados, disputas de território e incapacidade de mudar.


Nenhum código corrige vaidade e empatia não se automatiza. E, por mais potente que seja o algoritmo, ele ainda depende da coragem humana de fazer algo com o que descobre. A IA pode te mostrar o caminho. Mas é o humano que decide se vai andar. Ainda não conheci inteligência artificial capaz de resolver os vazios da alma humana.

(*) Atual presidente do Conselho e sócia-fundadora da Blue6ix Tecnologia.