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TI: o desafio não é a carência de mão de obra, mas sim como a usamos

em Artigos
sexta-feira, 05 de novembro de 2021

Maurício Fernandes (*)

Você já ouviu: há falta de gente no mercado de tecnologias digitais. Profissionais são concorridos com salários artificiais e não entregam o que é preciso.

Iniciativas de rápida formação de profissionais se multiplicam pelo mundo. Salários sobem, produtividade cai, turnover sobe, projetos sofrem. A Transformação Digital sofre ameaças de desacelerar em 2022. Minha provocação é: vamos olhar isto de outra forma. O que realmente está acontecendo?

Todas as empresas viraram digitais de alguma forma. Atendimento, pesquisa, posicionamento e o próprio propósito está intrinsecamente ligado ao digital, seja sua empresa um varejista, uma escola, uma empresa de saúde, banco etc. Assim, naturalmente, todos estão contratando (ou tentando contratar) gente para ter um time próprio em casa para fazer este mundo digital funcionar, genericamente falando.

Isto se assemelha com o que aconteceu há décadas, quando as empresas compraram seus primeiros computadores centrais, de mainframes a minicomputadores, e os cercaram de um “time de CPD” que fazia tudo dentro de casa. Ali se formou também uma carência de mão de obra. Mas o mundo era mais lento e deu tempo de estruturar escolas técnicas e cursos profissionalizantes que entregaram a massa de profissionais dos quais eu inclusive faço parte – sem, no entanto, nunca ter trabalhado num CPD.

Mas, o que estava errado naquele momento? Foram criados silos. Cada empresa ajustou tecnologias de mercado para ter algo único, com “valor agregado”, que no fim cobrou seu preço e isto aconteceu não coincidentemente na virada do milênio – já ouviu falar no bug Y2K?

A década de 2000 foi o início de uma visão de sistemas de software e de hardware “good enough”, que nos trouxe a um mundo mais padronizado, voltado para um ambiente globalizado e assim impulsionaram o mundo para ser o que é hoje, através de modos e tecnologias robustas: Cloud, Analytics, metodologia ágil etc. O valor agregado estava, afinal, no negócio impactado pela tecnologia.

Agora, voltando a 2021. Note os pontos de semelhança. Estamos recriando grupos (quer chamar de squad?) que cercam tecnologias com desenvolvimento de soluções, processos e ideias proprietárias a algo que consideramos “valor agregado”. Para isso contratamos dezenas, centenas ou milhares de colaboradores que vão montar esta massa de trabalho muito semelhante ao que vimos na década de 1980. E, claro, por que não usar de terceirização para isso já que é difícil contratar?

Assim, o que era para ser um projeto de Transformação Digital vira um projeto de body shop terceirizado, com profissionais somando-se às centenas para criar seus complexos silos de gestão da tecnologia. Estamos repetindo a história, então por que não podemos resgatar aqui os aprendizados e fazer diferente?

E se houver mais automação e foco do time em gestão, com análise especializada? E se esta automação, entregue com o apoio de ferramentas, trouxer ganho de escala, qualidade e insights com Inteligência Artificial ao comportamento do ambiente digital? Serviços Gerenciados modernos são exatamente isto. O impacto que isto traz em qualidade, custo, agilidade e entrega é óbvio e muito forte. Ter especialistas na gestão sempre será melhor do que generalistas na operação.

Se transformação digital não dispensou a necessidade de seres humanos, temos que ressignificar o posicionamento destes profissionais. Quando nós oferecemos nossa ajuda em projetos de gestão de cloud ou de dados, nos deparamos justamente com este paradigma. O cliente acaba sendo induzido ao modelo de terceirização, mas se surpreende com nossa oferta, embora acabe comparando as duas. É um momento decisivo para o projeto de transformação digital escolher entre terceirização e serviços gerenciados. Avançar ou estagnar.

Seja muito profundo em sua análise e não esqueça: desafios de nosso tempo requerem soluções modernas, disruptivas, escaláveis e inteligentes. Você não vai fazer Transformação Digital com cabeça de século XX.

(*) – É presidente da Dedalus.