Tecnologia e Educação: dupla dinâmica que gabarita muitas provas

George Balbino (*)

A vencedora do Nobel da Paz Malala Yousafzai certa vez disse que “uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”.

Se a jovem entusiasta da educação permitir um adendo, acrescentaria que um aparato tecnológico – um laptop, um smartphone ou um tablet – também pode ter uma parcela positiva de contribuição.

Passamos por um momento bem desafiador globalmente, devido à pandemia da Covid-19 e das inúmeras incertezas ao nosso redor. Os educadores estão se virando como podem para manter os estudantes atentos e engajados, diretamente de seus lares, distantes dos colegas e da rotina de sala de aula, uma combinação que produz benefícios inegáveis.

No entanto, o modelo online – ou um formato híbrido, tendência que tem sido debatida ultimamente – também pode trazer atrativos que merecem um lugar mais generoso à mesa. Justamente por vir de uma área bem específica – ensino de matemática com recursos de gamificação –, posso dizer que o virtual, assim como o universo dos games, são uma receita eficaz de sucesso para atrair o jovem do século 21, que está hiperconectado e exposto a muita informação, ao mesmo tempo em que se dispersa com imensa facilidade.

Venho notando que o adolescente, quando se vê diante de um desafio mais relacionado a sua rotina, certamente vai se engajar na sua solução. Será uma reação voluntária, ativa, espontânea. Do contrário, a metodologia mais ortodoxa de ensino das ciências exatas, na qual o professor explica na lousa e o público apenas recebe o conhecimento passivamente, tem uma considerável tendência de cair no ostracismo, o que já vem sendo observado nos últimos anos, com a amplificação da conectividade e dos meios de acesso a dados e informações.

Esse formato mais passivo, denominado como educação bancária pelo educador Paulo Freire, tende a ganhar cada vez menos adeptos, apesar de ser empregado ainda por muitas escolas. Na contramão desse pensamento, os profissionais de educação que estimularem estudantes a serem mais ativos e ávidos pelo saber surfarão na onda da pedagogia do futuro.

Sem dúvida, a pandemia agravou alguns obstáculos que já existiam na educação. De acordo com o estudo “The Covid-19 pandemic: shocks to education and policy responses”, do Banco Mundial, antes da atual crise sanitária mundial, 258 milhões de jovens e crianças já estavam fora das escolas (dados globais). Não é de se espantar que a pesquisa alerte para a possibilidade de aumento desses números enquanto a situação não se normalizar. O índice é assustador por si só e precisamos pensar em meios de chegarmos ao educando de forma mais assertiva.

Em alinhamento com esse cenário, o relatório anual da Fundação Lemann (2020) destaca uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha com dados a serem levados em consideração. Segundo o levantamento, 73% dos educadores dizem que, após a pandemia, vão utilizar mais tecnologia no ensino do que usavam antes. No entanto, menos da metade (45%) dos profissionais consideram a conexão adequada atualmente e quase 30% não têm qualquer internet na unidade escolar.

A tecnologia pode ser uma grande aliada na democratização do conhecimento e na desmistificação de determinadas disciplinas, como a matemática e os idiomas, se forem resolvidos esses gaps inibidores de acesso às plataformas digitais, uma questão que, em geral, está diretamente relacionada a realidades de notável desigualdade social e de concentração de renda entre poucos.

(*) – É vice-presidente da Mangahigh no Brasil, plataforma educacional britânica pioneira na criação de conteúdos didáticos de raciocínio lógico por meio de games para crianças e adolescentes. (www.mangahigh.com).

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