Cláudio Werner (*)
Santa Catarina acaba de assumir, pela primeira vez em 15 edições, a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados, tirando São Paulo do posto que ocupava havia 14 levantamentos seguidos. Isso não é acidente estatístico: é a comprovação de que o ecossistema catarinense de atração de investimentos amadureceu — e agora precisa ser defendido com a mesma disciplina que o construiu. O ranking avalia os 27 estados a partir de dez pilares e é hoje referência para investidores na hora de decidir onde alocar capital.
Chama atenção a consistência da trajetória. SC não saltou ao topo por um ano isolado: estreou em 3º lugar em 2016, assumiu o 2º posto em 2017 e permaneceu ali por nove edições, até 2025. Subir ao 1º lugar depois de quase uma década de segunda colocação é diferente de uma alta pontual — é o resultado de trajetória sustentada ao longo do tempo, o que dá ao investidor exatamente o que ele mais valoriza: previsibilidade. Ambientes que sobem posição a posição, ano após ano, comunicam maturidade institucional e continuidade de política pública, independentemente de ciclos eleitorais.
Também impressiona a amplitude do resultado. Santa Catarina não lidera por força de um único pilar: está entre os cinco primeiros do país nos dez pilares avaliados, e em primeiro lugar em quatro deles — Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social. Um estado que lidera em capital humano pelo quarto ano seguido e mantém segurança pública no topo por praticamente uma década não vende apenas incentivo fiscal; vende ambiente de negócio estável, o ativo mais difícil de replicar. Guerra fiscal e renúncia tributária podem ser copiadas por qualquer estado disposto a abrir mão de receita; segurança pública consolidada e mão de obra qualificada são construções de décadas.
Não menos relevante é o salto em educação: SC avançou sete posições no pilar, saindo do 9º para o 2º lugar nacional, reforçando a base de formação que sustenta a mão de obra qualificada do estado. Some-se a isso o 2º lugar em Inovação — combinação que interessa diretamente a quem busca instalar operações de maior valor agregado, não apenas produção intensiva em mão de obra. Educação e inovação juntas sinalizam ao investidor que o estado não oferece apenas mão de obra disponível hoje, mas forma a força de trabalho que vai operar as tecnologias de amanhã.
E há um alerta que a própria liderança impõe. Ranking é dinâmico — SC tirou São Paulo do topo depois de 14 edições, o que prova que nenhuma posição é permanente. Manter a liderança exige tanta disciplina quanto conquistá-la, talvez mais, porque o padrão de comparação sobe junto com a posição.
Ainda temos espaço para avançar em infraestrutura e solidez fiscal, itens nos quais ainda não somos líderes no ranking. Está aí nosso novo desafio. Liderar exige agora investir justamente onde o resultado ainda não é liderança — o que passa por logística, portos, rodovias e conectividade digital, além de uma gestão fiscal que dê ao investidor a mesma previsibilidade que já existe nos pilares sociais e humanos. É essa combinação entre o consolidado e o que ainda precisa avançar que vai garantir que Santa Catarina permaneça no topo na próxima edição.
(*) Cláudio Werner é presidente da Investing Santa Catarina, entidade privada de promoção e atração de investimentos para o Estado.
