Giovanna Gregori Pinto (*)
Você já parou para pensar até que ponto a vida pessoal de um líder pode impactar a credibilidade de uma empresa inteira?
Há pouco, ganhou repercussão o desligamento do CEO da Nestlé, Laurent Freixe, após uma apuração interna apontar que ele mantinha um relacionamento amoroso com uma subordinada direta. A prática fere o Código de Ética e Compliance da companhia e resultou na demissão de ambos os funcionários.
Outro caso recente que trouxe essa discussão à tona foi o do CEO e da diretora de RH flagrados na “Kisscam” durante um show do Coldplay. A cena causou enorme comoção: o nome da empresa virou um dos assuntos mais buscados no Google e a repercussão de PR foi péssima. Apesar de o atual CEO interino, que também é um dos co-founders da companhia, ter afirmado que gostou da visibilidade repentina, o episódio não trouxe impactos positivos: o CEO pediu para ser afastado e a diretora de RH foi desligada.
Todas essas situações têm coisas em comum e levantam três questionamentos. O primeiro é: por que agora têm surgido mais casos de desligamentos de executivos por se relacionarem com funcionários? A principal razão é o medo das empresas de que episódios assim prejudiquem sua imagem e reputação.
O segundo é: ter um relacionamento com subordinados diretos é permitido por lei? A CLT não proíbe esse tipo de relacionamento. No entanto, empresas, principalmente as de grande porte, com códigos de ética e compliance bem estruturados, costumam estabelecer regras que impedem relacionamentos entre chefes e subordinados diretos.
O terceiro é: por que essas cláusulas existem? Porque os códigos de conduta e ética têm como objetivo garantir que todos os profissionais sejam tratados com igualdade e justiça. Quando um líder mantém um relacionamento pessoal com alguém de sua equipe, é possível que não consiga agir com total imparcialidade ao decidir sobre promoções, aumentos salariais ou avaliações de desempenho.
Para evitar esse tipo de conflito de interesses, as empresas buscam assegurar que os relacionamentos no ambiente de trabalho permaneçam profissionais, preservando decisões baseadas em mérito, justiça e consciência.
(*) – É executiva de RH e fundadora da People Leap.
