Quarta revolução industrial e a desigualdade social

Reinaldo Dias (*)

O tema mais destacado do Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, neste ano, foi a “Quarta Revolução Industrial”.

Descrita como uma mudança tecnológica radical, estima-se que irá alterar significativamente o atual modo de viver, de trabalhar e a forma de relacionamento interpessoal. A primeira Revolução Industrial teve início o Reino Unido, na segunda metade do século 18, com a utilização da energia hidráulica e do vapor para a produção mecanizada, o que provocou o nascimento da fábrica moderna.

A segunda revolução, começou na segunda metade do século 19 e atingiu o apogeu no início do século 20, sendo caracterizada pela produção em massa, baseada na utilização da eletricidade e na divisão do trabalho. A linha de montagem de Henry Ford tornou-se o símbolo do período, pois possibilitou a produção de um número enorme de produtos idênticos de forma rápida e barata.

Na década de 1970, se iniciou a terceira revolução industrial, com a utilização de equipamentos eletrônicos e tecnologia de informação (TIs) para alcançar maior automatização na produção. A Quarta Revolução Industrial, por fim – também denominada Indústria 4.0 – será marcada pela integração de tecnologias do mundo físico, digital e tecnológico.

Suas características são: o aumento do poder de processamento, a conectividade dos itens utilizados no dia-a-dia com a rede mundial de computadores (Internet das coisas – IoT), ampla utilização da inteligência artificial, intensificação do uso de impressoras 3D e uso da nano e biotecnologia para a produção de objetos utilizados no cotidiano.

Nesse sentido, a conectividade dos equipamentos utilizados na indústria se acentuará, com a comunicação entre máquinas integrando sistemas de produção físicos e digitais, passando a trocar informações entre si, de forma autônoma, tomando inúmeras decisões de produção – antes exclusivas dos seres humanos.

O outro lado dessa quarta revolução é a possibilidade de haver um aumento da desigualdade social no mundo, pois a propagação da inteligência artificial e o uso de robôs aumentarão o desemprego e o desequilíbrio no mercado de trabalho. Ainda, as economias mais prejudicadas são as que mantém alguma vantagem pela utilização de mão-de-obra barata, como acontece no Brasil.

O relatório divulgado no Fórum de Davos estima que, nos próximos cinco anos, mais de 7 milhões de empregos serão perdidos em todo mundo. A situação, motivada pelos avanços em inteligência artificial, levarão as máquinas a desempenhar funções nunca antes imaginadas, de autocorreção e trabalho cooperativo. Mudarão abrupta no cenário empregatício global.

Fato é que, no futuro, o talento, mais do que o capital, representará o fator crítico de produção. Em decorrência disso, haverá um aumento do fosso salarial, que separa os segmentos de baixa e alta qualificação. Novos estilos de vida deverão predominar entre os jovens, com base em valores como criatividade, transparência e respeito ao meio ambiente.

A questão central aponta para as nações e seus investimentos em educação, fortalecendo o ensino de ciências e matemática com base nos novos valores. Em termos de competitividade global, há a necessidade de se destacar, a fim de obter, como resultado um desenvolvimento interno mais sustentável, a diminuição das desigualdades sociais. Caso contrário, lhes restará um papel secundário na economia global de fornecedores de matéria-prima e de consumidores.

A produção industrial do futuro dependerá fundamentalmente da educação em áreas que possibilitem a formação de talentos capacitados a criarem e gerirem processos de alto desempenho, com base em valores como respeito ao meio ambiente e à diversidade humana.

(*) – É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie/Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política. É especialista em Ciências Ambientais.

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