Qual será o futuro das Américas?

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A construção da Terra seguiu uma linha cuja meta era dotar o planeta de todas as condições para acolher a vida humana com sustentabilidade.

Cabia aos humanos e seus governantes compreenderem exatamente como a natureza funciona em sua automaticidade. Movidos pela cobiça de poder, os homens descuidaram disso, improvisaram, inventaram, contornaram, mas os efeitos não se fizeram por esperar, e em consequência o planeta apresenta terríveis sinais de deterioração causada pela espécie que abrigou para evoluir.

Estamos vivendo num mundo em transformações com quase 8 bilhões de almas. Muitas delas desinteressadas da vida e seu significado, alienadas sobre o áspero momento atual. Há problemas com alimentação, água, criminalidade mundial, guerras. Quando essa humanidade vai ter bom entendimento entre si? O progresso intelectivo avança continuamente, mas sempre tem sido acompanhado de decadência. Falta “coração”.

A economia visa atender às necessidades essenciais, mas o dinheiro criou descaminhos. Surgiu o mecanismo do dinheiro que faz dinheiro, mesmo que não produza nada ou indo a extremos com superprodução de supérfluos e falta de essenciais. Os homens criaram o dinheiro, a inflação, os juros e a âncora cambial. A indústria foi fechando. Tudo depende do dinheiro, de jogadas especulativas.

Quando a renda cai, o rebuliço se instala, pois não há plano B, e como pedras de dominó, uma empurra a outra. Quem sabe, após a grande tormenta econômica, possa enfim surgir o sistema sadio em que o dinheiro fique no seu papel de auxiliar a produção e o comércio de bens efetivamente essenciais para um viver de forma condigna.

Os homens, através do progresso tecnológico e da globalização, criaram a alta especialização. Na crise que se desenha, o mundo e as nações precisarão de pessoas com experiência geral, aptas a coordenar a produção dos bens essenciais. O momento é de incertezas; tudo está oscilando, da economia à sociedade; das alterações climáticas, ao equilíbrio emocional.

Temos de compreender a finalidade de nosso viver neste planeta acolhedor, ao qual temos submetido a todos os tipos de abusos, mas que, como consequência de nossos desatinos, agora está se tornando hostil à vida humana. A sina da América Latina tem sido a de permanecer estagnada com nível baixo na saúde e na educação. Francisco Pizarro e Hernan Cortez deram início à rapinagem no império Inca e no México, o que acabou abrindo as veias das riquezas do continente.

Em 500 anos, ninguém conseguiu uma transformação para melhor. Dominada pela influência religiosa, a população esteve na dormência e seus governantes na inércia. Embaraçada pelas finanças mal geridas, regrediu. Neoliberalistas, esquerdistas e caudilhos se aproveitaram, mas com ou sem democracia predominou o atraso e a falta de preparo da população. Para onde vão as nações latino-americanas? Vale tudo para a conquista do poder pelo poder, não para promover o progresso real? A Europa está atordoada por dívidas e crise na energia.

Os EUA, que deveriam inspirar um modelo de renovação, não conseguem resolver seus múltiplos problemas internos. A China diz não querer o comando, mas vai avançando na economia. O que será das Américas? O que será da humanidade?

O futuro da humanidade depende da boa educação infantil e do bom preparo das novas gerações para a vida.

A parte humana do ser está sendo perdida, mas tudo terá de se tornar novo para subsistir através do saber do funcionamento das leis naturais da Criação, possibilitando que a sabedoria espiritual possa se manifestar, construindo beleza, paz, progresso real e felicidade, colocando o intelecto no lugar que lhe cabe: de instrumento a serviço do homem.

A educação e o bom preparo das novas gerações têm de ser a prioridade para deter a acelerada decadência que o mundo enfrenta. A boa formação requer o reconhecimento de que estamos inseridos na Criação como um fruto dela, o que torna indispensável a busca do saber do significado da vida e das leis que a regem para que nela as pessoas se integrem construtivamente.

É preciso raciocínio lúcido, simplicidade, clareza e naturalidade no pensar para a formação de cidadãos dotados de bom senso intuitivo, que tenham propósitos enobrecedores, que reconheçam sua responsabilidade de beneficiar o mundo para que haja paz e progresso material e espiritual.

(*) – Graduado pela FEA/USP, coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br/home). E-mail: [email protected].

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