O paredão está avançando

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

O Brasil, cobiçado desde o descobrimento, e mesmo dispondo de muitos recursos naturais, perdeu vitalidade. Há o desequilíbrio econômico geral entre as nações.

O nome disso é geoeconomia ou geopolítica. Quem pode mais, chora menos? O Brasil deveria se ocupar mais em produzir e criar empregos internos, dar bom preparo ao povo, e buscar independência financeira para não ficar refém dos financiamentos. O grande Brasil se tornou nação sem vontade própria.

A cidade de São Paulo, fundada há 468 anos, atraiu pessoas de todas as raças e todos os credos que deveriam dar sua contribuição para que o Brasil se tornasse verdadeiro lar, mas a maravilhosa e acolhedora cidade, hoje com mais de 12 milhões de habitantes, está cheia de problemas criados por sucessivos governos displicentes.

A responsabilidade dos governantes é cuidar das cidades e do país em sua totalidade, ou seja, da infraestrutura, educação e economia, produzindo para consumo interno e para exportação, gerando empregos, renda e arrecadação. Isso requer políticos honestos, empenhados no bem do Brasil. O nosso atraso tem de ser debitado aos políticos que tiraram proveitos para si, sem administrar tudo com seriedade e competência. Como sair dessa situação com tantos oportunistas solapando o que restou?

O mundo se inquieta com dívida elevada e a provável existência de bolha financeira nos Estados Unidos. Lamentável, pois surgem bolhas no mercado, e este cada vez mais se assemelha a um cassino em vez de atuar como mecanismo de investimento e desenvolvimento. Formou-se um obscuro oceano financeiro. Muitas nações têm potencial para sobreviverem de forma condigna, mas engolfados na globalização, lançaram-se ao mar sem estarem preparadas para as tormentas financeiras criadas pela ganância e irresponsabilidade.

As grandes corporações alcançaram a otimização no aproveitamento do mercado mundial para obter ganhos na produção, finanças e vendas, enquanto as nações se fragilizaram e ficaram sem condições para enfrentar o mar encapelado, e não sabem como voltar à terra firme de suas fronteiras. A China deliberou limpar a Internet, mas temos aí a questão da imposição.

As pessoas, em geral, e os jovens, em particular, têm atração para burlar proibições coercitivas; no entanto, há uma nojeira em muitos filmes e espetáculos que mostram o ser humano decadente no uso de drogas, sexualidade embrutecida, traições e assassinatos. Isso tudo, nada de bom mostra às novas gerações e deprime os idosos. É o veneno da decadência espalhado pela humanidade e por ela acolhido.

Vídeos, filmes, TV, escola, tudo para avançar no imaginário das pessoas incutindo conceitos estranhos. No caso do imaginário infantil é preciso muito cuidado; trata-se de invasão comprometedora da mente da criança e de seu futuro, pois em seu instinto imitativo não tem discernimento sobre o que vê e copia em suas atitudes. Nas escolas é ainda mais grave por ser o professor um modelo em potencial e certas leituras e conceitos transmitidos chegam a ser criminosos.

É o tipo de conspiração que o diabo gosta: apodrecer a fruta antes do amadurecimento. O ser humano agarrou-se ao mundo material, esquecendo-se da transitoriedade da vida. O dinheiro se tornou a quinta essência do materialismo e em função da ânsia do ganho, tudo o mais foi menosprezado e prejudicado. Não há interesse em estabelecer um sistema de vida simples e natural sem agressão ao meio ambiente e sua sustentabilidade. A solução está na busca sincera da espiritualidade. A escada espiritual exige esforço.

Subir é a grande tarefa da vida. O espírito humano encontra-se ainda nos baixios da matéria grosseira. As pessoas se sentiam poderosas dominadoras e foram criando as próprias leis, construindo tudo sobre as bases da cobiça e vaidade. Mas com tal base frágil, tudo foi se encaminhando para o desmoronamento e agora se sentem emparedadas sem saber para onde ir, e o paredão vai avançando.

“Tu, porém, ó pesquisador, examina-te com sinceridade e impiedosamente, e então procura sintonizar todo o teu pensar e intuir, sim, todo o teu ser, de modo novo sobre base espiritual, a qual não mais vacilará como aquela base até agora intelectiva e por isso muito restrita!” (trecho do livro Mensagem do Graal, A luta na Natureza)

(*) – Graduado pela FEA/USP, coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). E-mail: [email protected].

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