Diogo Angioleti (*)
A galinha é uma ave peculiar: até se esforça, mas não consegue voar. O questionamento que ecoa desde o fim do ano passado sobre o nosso futuro econômico é este: cresceremos, mas sem ganhar altitude? 2026 deve ser um ano de “pés no chão”. Nas próximas linhas, analisaremos as previsões com base em três lentes: as expectativas de mercado (casas financeiras e Boletim Focus), a geopolítica e o comportamento do investidor.
O Boletim Focus não é bola de cristal, mas funciona como nosso termômetro semanal. Neste começo de ano, ele traz um consenso de mercado que vai além dos dados: o de um futuro “morno” para a nossa economia. Com previsão de crescimento de 1,8% do PIB, IPCA em 4% com desinflação gradual e uma Selic que resiste em baixar de 12,2% ao ano. Algumas casas financeiras do país, como o Itaú, mostram-se mais otimistas – projetando um PIB de até 2%.
Traduzindo para nossa vida real: não temos um país quebrando, mas também não é um Brasil acelerando. 2026 pode ser visto com um voo que perde o fôlego fácil por conta de juros ainda elevados.
Eles pesam no custo de vida das famílias, encarecem o crédito e desestimulam o empreendedorismo. Com essa conjuntura, a empresa adia a expansão, a família alonga a dívida e o investimento trava no funil. Mas, lembre-se: o crescimento baixo começa na mentalidade, não apenas na planilha. Esse cenário provoca psicologicamente um modo de prudência permanente. Investir não é apenas matemática, é também confiança.
Quando a resposta é incerta – seja pelo embaraço fiscal ou pela tensão política em ano eleitoral -, o país pode até ter solidez, mas gera o prêmio de risco, o câmbio fica mais nervoso e o investidor prefere esperar o próximo capítulo. Some a esse horizonte um mundo que entrou em “modo de tensão”, marcado por conflitos e instabilidades. O medo naturalmente diminui o apetite ao risco e gera impactos na energia, dólar e crédito. No Brasil, nós temos algumas dimensões afetadas.
Primeiro, o petróleo mais caro sempre respinga no custo de vida, seja nas bombas dos postos ou nas gôndolas do supermercado. Além disso, quando o mundo fica mais hostil, o capital global fica mais seletivo. Como somos vistos como um destino mais arriscado por sermos um país emergente, a aversão ao risco drena o investimento externo.
Nessas horas, vale uma regra para famílias e empresas: o segredo não é voar alto, mas aprender a pousar bem. Reduza o pagamento de juros, organize reservas, proteja seu orçamento, evite compras por impulso e invista com método, coerência e horizonte. Um ano de voo baixo não necessariamente negativo; mas exige reorganização das suas finanças, redução de endividamento, fortalecimento de caixa e, acima de tudo, organização para que possa aproveitar a próxima fase de crescimento, pois ela chegará.
Por fim, 2026 pode não ser um foguete, mas não precisa ser uma queda livre. Aproveite para buscar alternativas mais interessantes e conhecer mais sobre modelos colaborativos. Cooperação e criatividade são sempre as melhores respostas em situações de incertezas. sempre são bons. Vamos planar neste ano, ajustando as asas para chegar mais longe.
(*) – É especialista em finanças e comportamento do Sistema Ailos.
