Hipocrisia e falsidade global

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Um sentimento de desapontamento começa a se expandir de forma incontida, gerando revoltas.

Mas ainda estamos longe da busca efetiva de melhora das condições gerais de vida e do aprimoramento da decaída espécie humana. A América Latina ainda sofre o efeito Pizarro, o conquistador que sufocou a civilização Inca com sua cobiça por ouro.

Esse acontecimento norteou, explicitamente, por longo período, as intervenções na região, onde a prioridade era a pilhagem dos recursos naturais, enviando-os para o exterior, sem que resultasse em benefícios para a população que acabou se acomodando aos ditames dos políticos demagogos, não raro subservientes a interesses externos.

Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações. Falta um sentido elevado e a espontânea alegria de viver. As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Na indolência, a força de vontade de buscar a Luz da Verdade sobre o significado da vida é fraca.

O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que se aproveitam disso para implantar o caos para que a humanidade se perca nas brumas do descontentamento, sem um olhar sincero de gratidão para o Alto pelo dom da vida. Hoje, nos ambientes de trabalho, há falta da coesão e do pensamento homogêneo.

Uma característica que encontramos com frequência é a hipocrisia, o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa, na verdade, não possui, mas quer que os outros pensem que estão tratando com alguém honesto, que exige que os outros tenham uma conduta correta, a qual no íntimo desdenha, e que ocultamente deixa de adotar.

A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis, ambos significando a representação de um ator e seu fingimento na interpretação de um papel. Atualmente, essa palavra designa pessoas que se comportam de forma enganosa e falsa para atingir seus fins.

Como o dinamismo da economia brasileira poderá ser despertado após longo período de gestão monetária e cambial contrária aos interesses do país? Qual é a verdade sobre a alta do dólar? Guerra comercial? Ameaça de recessão global? Déficit na balança de pagamentos? Se o Brasil não produz dólar, como mantê-lo barato? Durante décadas atraímos o dólar oportunista que vinha pelos juros mais altos do mundo, e pelas jogadas especulativas na Bolsa e no câmbio.

A consequência foi a elevação da dívida e a estagnação da indústria. O dólar se tornou um fator geopolítico financeiro. Os países se estruturaram para serem deficitários e cobrir seus déficits com financiamento, e tudo se agravou com a corrupção. O dinheiro e os bens em geral não representam um mal em si; o mal está na cobiça que se instalou entre os humanos no “vale tudo” para acumular dinheiro.

Enquanto isso, o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social domina o planeta, ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional. O governo está deixando o câmbio flutuar mais livremente, utilizando a reserva internacional. Quais serão as consequências? Países como o Brasil deveriam cuidar de seu povo e de sua economia, mas a dependência de dólares travou tudo e seus governantes não souberam como deveriam ter agido.

A dependência de financiamento externo se tornou a grande armadilha para os países que se acomodaram com paliativos e juros elevados. O mercado financeiro global é implacável. Se a economia não for estruturada de forma equilibrada, o caos se alastrará. A questão do dólar já era complicada no tempo do acordo de Bretton Woods. Com a ruptura, o governo americano perdeu o controle da moeda global da qual a maioria dos países se tornou dependente. Déficits, valorização do câmbio ou sua desvalorização se tornaram os fantasmas de muitos governantes.

No Brasil a baixa dos juros pode estar afetando a cotação do dólar, mas, além disso, será que há outros fatores desconhecidos pelo público? O país tem de ultrapassar essa ameaça com realismo.

(*) – Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.library.com.br) e (www.vidaeaprendizado.com.br). E-mail: [email protected]; Twitter: @bidutra7.

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