Estratégia como ferramenta de investimento

César Bergo (*)

Com certeza você já ouviu falar que toda crise representa uma oportunidade.

Mas não é simples enxergar as oportunidades quando o improviso e a emoção interferem em nossas decisões de investimento, que deveriam ser tomadas com base em análises e informações devidamente checadas e fundamentadas para não cairmos na situação descrita por Kant: “quem não sabe o que procura, não percebe quando encontra”.

O uso de uma boa estratégia (como conjunto de operações intelectuais e físicas requeridas para que se conceba, prepare e conduza uma atividade com objetivo bem determinado), além de propiciar o aproveitamento das oportunidades, é uma vigorosa ferramenta para vencer a crise e auxiliar no estabelecimento das prioridades presentes no binômio urgência e importância.

Devemos considerar que não nascemos com ideias e conceitos prontos e toda ideia ou teoria pode ser desafiada. Mas, no que diz respeito ao superávit doméstico, existem apenas duas maneiras de aumentá-lo: ganhar mais e gastar menos. Mas, na hora de pensar em poupar ou investir, muitas vezes nos cercamos de objetivos vagos, como “ter uma aposentadoria tranquila” e desconhecemos o valor do esforço financeiro para alcançar tal objetivo.

Por esse motivo, vale expor as três fases que são necessárias para a elaboração de uma estratégia capaz de eliminar a subjetividade e estabelecer objetivos concretos, a saber: a) cenário (levantamento de situações capazes de antecipar os riscos); b) estratégia (caminho a ser seguido); e c) implementação (consistência, acompanhamento e controle).

Esses conceitos são relativamente simples, mas a fase de implementação é a que apresenta maior grau de dificuldade. Não raro o investidor descuida-se de compreender a natureza e as características básicas dos investimentos. A disciplina e a paciência são atributos fundamentais para atingir o sucesso no mercado financeiro. É importante evitar modismos e não mudar de estratégia a cada instante.
O investidor deve assumir consigo mesmo o firme compromisso de buscar conhecimento para pensar por si mesmo.

A precisão na alocação de ativos em uma carteira de investimento é, também, fator importante e não permite improvisos, que invariavelmente são punidos com perdas que atingem parcela significativa do capital investido. Portanto, não é razoável depender exclusivamente da intuição ou da sorte na elaboração de uma estratégia de alocação de ativos. Nesse sentido, ecoa no mercado a emblemática frase de Max Gunther, autor do livro Axiomas de Zurique: “se a astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos”.

Um investidor, para elaborar sua estratégia, precisa desenvolver uma boa visão de longo prazo, pois a probabilidade é inerente ao ato de investir que envolve, ainda, outros fatores, como: liquidez, rentabilidade, horizonte de investimento e diversificação. Todos eles servem para diluir risco e maximizar ganhos. Lembre-se: quanto maior o risco, maior o retorno; e o objetivo de retorno tem de ser maior ou pelo menos igual à possível perda.

Sabemos que a Psicologia do mercado também desempenha um importante papel na criação de momentos econômicos positivos e negativos e que a “crise”, longe de ser um flagelo nocivo, é uma oportunidade de colocar em prática uma estratégia que deve ser rigorosamente observada nos bons e maus momentos do mercado.

Caso os pontos aqui mencionados sejam observados com afinco, tenho a certeza de que esta atitude fará o mercado financeiro ter mais um investidor bem-sucedido: VOCÊ.

(*) – É Coordenador da Pós em Mercado Financeiro e Capitais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e presidente do CRE da 11ª Região.

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