Como família e bem-estar influenciam a produtividade do profissional

Augusto Neves (*)

Vida pessoal e profissional: como as duas conversam?

Em tempos de instabilidade generalizada – e até mesmo quando as coisas andam em uma certa normalidade – as empresas compartilham de uma missão em comum: garantir que suas equipes de trabalho caminhem dentro de uma eficiência operacional satisfatória.

No entanto, o que muitos deixam passar, é o impacto que um ambiente familiar harmonioso, somado a um equilíbrio fundamental nas atividades diárias, traz para que o colaborador corresponda às expectativas depositadas em sua contribuição.

Ninguém é sistematicamente igual. Cada indivíduo apresenta características únicas em sua vida particular. Ter sensibilidade para compreender circunstâncias adversas, especialmente se tomarmos como exemplo o plano de fundo de um país que ainda vive uma pandemia, é um diferencial que líderes corporativos não podem abrir mão. Afinal, estamos lidando com seres humanos, em todos os sentidos.

Um erro bastante comum é pensar no lar familiar como algo antagônico à rotina de trabalho, que não se relaciona com o nível de engajamento apresentado pelo profissional quanto às tarefas designadas no âmbito empresarial. É de suma importância entender que a pessoa é a mesma, seja trabalhando ou junto de sua família, tendo emoções, sentimentos, desejos e desgastes que não deixarão de aparecer por uma simples mudança de local.

Ter um contato diário e saudável com a família não é uma questão unicamente pessoal. Sem dúvidas, trata-se de um hábito indispensável no que diz respeito à função que todos nós possuímos enquanto membros de um ambiente familiar, com pessoas que necessitam de nossa atenção. Porém, esse costume contribui significativamente para que a saúde mental se mantenha estável, dia e noite, em casa e no trabalho, sem diferenciações.

Logo, não há exagero nenhum em afirmar que os dois espaços estão ligados. Como esperar que um profissional afetado por uma vida pessoal nociva, que deixe sua mente em um estágio total de desmotivação, cumpra tudo o que se espera dele dentro da empresa? Mais do que planejamentos estratégicos que são elaborados sob a ótica de um gestor, aqui, destaca-se a relevância de se adotar uma postura humana, em respeito aos grandes responsáveis por conduzir determinado negócio ao sucesso.

A palavra equilíbrio acaba sendo utilizada com certa frequência e, não por acaso, é um termo que traduz uma condição que todos devem priorizar em suas vidas. Equilíbrio entre trabalho e família significa, em resumo, separar uma parcela do dia para cuidar desses dois aspectos com o devido peso concedido. Isto é, ter discernimento para estabelecer prioridades e desempenhar vários papéis, reservando um tempo produtivo com nossos familiares.

A família é a “mola propulsora”, nossa maior fonte motivacional. Como a base de tudo, também nos incentiva a ir além, seja no trabalho ou em outras vertentes do cotidiano. A partir do momento que o colaborador se torna consciente quanto a isso, é aberto um leque de novas possibilidades, sob o véu de uma rotina mais leve, harmoniosa e positiva, com tranquilidade para tomar decisões.

Enfatizo a importância de uma qualidade de vida consolidada e equilibrada, entre dois polos que devem convergir rotineiramente. Esses benefícios serão assimilados pelo próprio profissional, que por sua vez, sentirá os efeitos de uma vida estável dentro de casa e também no ambiente de trabalho, e pela empresa, que contará com a participação de colaboradores saudáveis para exercer suas funções com excelência.

(*) – Com mais de 20 anos de experiência na área de Recursos Humanos, é Diretor de Gente e Gestão da Serede – Rede Conecta, empresa do Grupo Oi.

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