Aprendendo a gastar: alimentação mais em conta

Ricardo Guerra (*)

Nos últimos quatro anos, a inflação dos alimentos chegou perto dos 50%. Significa que o que custava R$ 10,00 em 2011, hoje, fica na casa dos R$ 15,00.

O mesmo prato de comida ficou cerca de 50% mais caro. O Datafolha, em conjunto com a ASSERT, realizou uma pesquisa mostrando quanto o brasileiro paga pelo prato, bebida, sobremesa e cafezinho. A combinação custa, em média, R$ 27,36. Para um trabalhador que almoça fora de casa nos 22 dias úteis de cada mês, a conta chega a R$ 601,92 – quase um salário mínimo. O desafio para cada um dos brasileiros é grande. Temos desemprego aumentando, inflação subindo, salários congelados e a perspectiva de melhora está longe.

Diante deste cenário, se quiser diminuir gastos, o brasileiro precisa iniciar uma mudança de hábito mais ativa. Comprar com mais consciência, buscar opções com melhor custo benefício, explorar novas alternativas de consumo e, principalmente, fazer conta. Um trabalhador que economiza R$ 5,00 por dia em sua refeição chega a mais de R$ 100,00 por mês e pelo menos R$ 1.200,00 em um ano.

Essa economia pode ser a manutenção de um carro, o pagamento de uma dívida, a viagem de final de ano, a compra de material escolar ou até mesmo um consumo maior para toda a família no período das festas de final de ano. Todos podem e devem contribuir: uma família com quatro membros, ao comer fora quatro vezes por mês, consegue reduzir seus gastos sem abrir mão dos momentos de lazer. Os R$ 5,00 a menos por pessoa viram R$ 80,00 por mês ou R$ 960,00 ao ano. Cada centavo conta.

No ramo da alimentação, alguns segmentos têm estratégias e percepções que não facilitam a economia do consumidor. Nos restaurantes por quilo, muitas vezes, fica difícil mensurar o preço final. Diversos estabelecimentos trabalham com o preço por cada 100 gramas, atraindo o consumidor por R$ 3,90, por exemplo. No entanto, o consumo de 700 gramas – valor aproximado de um Prato Feito – chegaria a R$ 27,30 e, adicionando uma bebida, o valor ultrapassaria R$ 30,00.

Ou seja, um preço bem superior à média nacional. Um restaurante por quilo, para ficar abaixo da média nacional, deveria cobrar R$ 2,90 por cada 100 gramas. Outra ferramenta utilizada pelos restaurantes é atrair o consumidor pelo preço da proteína sem acompanhamentos. Imagine que uma picanha custa R$ 20,00 e que a adição de cada acompanhamento equivale a R$ 3,00. Uma picanha com arroz, feijão e fritas sairia por R$ 29,00 sem bebida. O importante é ficar atento e, principalmente, calcular a compra.

Para o consumidor, um dos destinos mais interessantes para economizar é ir à praça de alimentação. A elevada concorrência no local e a presença das grandes redes possibilitam ao brasileiro uma rápida pesquisa e o aproveitamento de promoções características do setor. Há, inclusive, opções de hambúrgueres com preços abaixo de R$ 6,00 e pedaços de pizza por menos de R$ 10,00. Normalmente as grandes redes fazem bastante propaganda das mais saborosas e acessíveis escolhas.

Para o almoço do dia a dia, os pratos saem na casa de R$ 11,00: são os Pratos Feitos completos, com proteína, arroz e feijão, ou mesmo massas e saladas. É possível combinar prato, refrigerante e sobremesa por menos de R$ 20,00. Os R$ 5,00 diários a menos se tornam uma economia saborosa. A variedade é outro grande benefício. Na praça, encontram-se asiáticos, italianos, americanos e árabes, além do autêntico arroz com feijão brasileiro.

Tempos difíceis são tempos de escolhas certas. Fazer a comida em casa seria uma outra opção, mas envolve tempo, compra de insumos, armazenamento e conhecimento de preparo. Nos dias de hoje, principalmente nas cidades grandes, a praticidade é um bem valioso. Busca-se agilidade e facilidade para todas as tarefas. A melhor opção para o consumidor é desfrutar da variedade, sabor e competividade das grandes redes. Hoje, a melhor escolha para quem come fora de casa é a praça de alimentação.

(*) – É Diretor de Marketing do Giraffas®.

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