A importância do time nos rumos da companhia

Pedro Signorelli (*)

O ano de 2021 acabou e é normal aproveitar este início de ano para analisar erros e acertos. Em tudo, inclusive na gestão dos negócios.

Independentemente da situação atípica em que estamos já há quase dois anos, o planejamento de curto prazo, o trabalho por metas e a valorização e engajamento do time, figuram entre os principais acertos na administração. Aqui traço um paralelo entre o home office e o planejamento de curto prazo, os dois foram impostos e ambos apresentaram muitas vantagens para as companhias, tanto que muitas empresas avaliam que a volta ao trabalho deve ocorrer num modelo híbrido.

Não foi uma escolha, foi uma imposição da vida, mas que veio recheada de pontos positivos: mais tempo com a família, menos despesas, menos estresse no trânsito e etc. No planejamento por curto prazo a situação é bem parecida. Esse tipo de administração é premissa do OKR (Objectives and Key Results) e talvez já esteja presente nas startups, lideradas em sua maioria por jovens afeitos a mudanças.

Mas que ainda têm, ou tinham, alguma resistência nas grandes corporações, onde o planejamento de longo prazo reina(va) absoluto há muito tempo. A reflexão é simples: é possível traçar um planejamento rígido para um ano inteiro, num mundo onde tudo pode mudar em segundos? O trabalho por resultados, também premissa do OKR, é anseio de todas as companhias. Quando o CEO e o time sabem o que querem, trabalham com esse foco.

O problema está na rota a seguir, se ela for engessada, não permitir ajustes, tende ao fracasso. Na atualidade o mundo muda muito rapidamente, e os ajustes passam a ser parte vital do processo. Para ilustrar, um exemplo muito simples. Vamos pensar em quem tinha um grande restaurante antes da pandemia e planejou incrementar o cardápio ao longo de 2021 com novos pratos.

Ou o dono desse estabelecimento mudou o planejamento, oferecendo serviço de delivery, por exemplo, ou fechou. Quanto aos novos pratos, possivelmente ele trabalhou pensando em novas porções. Muda o ano, mas não os problemas, vários são recorrentes. Vou elencar aqui três deles, sempre presentes em resultados desastrosos ao final de cada ciclo: a falta de foco; o excesso de reuniões e a jornada estendida de trabalho.

No primeiro caso, mudar constantemente o foco tem um resultado prático, já que demonstra que eu não sei o que quero, naturalmente não chegarei a lugar nenhum.
No segundo caso, quantas vezes você já viu uma equipe sair de uma reunião e, imediatamente, entrar em outra? Certamente várias. Agora se houve uma reunião, havia algo a ser decidido e algo a ser feito, se eu não tenho tempo para executar o que foi decidido nesse primeiro encontro, certamente também não o terei quando sair do segundo, ou do terceiro etc.

O detalhe é que muitas companhias adotaram as reuniões como regra. Em grande parte das situações, as mudanças ou ajustes poderiam ser comunicados num simples e rápido e-mail. Sobre a jornada estendida de trabalho fico pensando no sentimento da equipe. Será esse um time feliz? Naturalmente há ocasiões que demandam, eventualmente, um prolongamento do horário de trabalho. Mas isso deve ser a exceção, não a regra.

Como conquistar o sucesso em 2022? Corrigindo os erros praticados ao longo dos anos. Planejamento de longo prazo por si só, não dá mais certo; falta de metas não leva ninguém a lugar nenhum e, por fim, não valorizar o time é como querer ganhar uma corrida de Fórmula 1 dando ao piloto a missão de correr e trocar os pneus do próprio carro.

(*) -É especialista “insider” na implementação de OKR em empresas e segmentos, e ministrando palestras e workshops de implementação de OKR (Objectives and Key Results).

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