A ameaça das alterações climáticas à nossa biodiversidade

Eliézer José Marques (*)

A baleia-jubarte e a arara-azul-grande estão entre as 170 espécies da fauna brasileira que saíram da lista nacional de extinção, divulgada no final do ano passado pelo Ministério do Meio Ambiente.

No entanto, outras 1.173 espécies ainda correm sério risco de sumirem de vez. A ameaça parece ainda maior após o resultado de outra pesquisa divulgada no mês de maio pela revista científica Science. De acordo com a publicação, se até 2100 nada for feito para reverter as mudanças climáticas no mundo, 16% dos animais e vegetais vão desaparecer.

A pesquisa divulgada pela revista Science, que foi realizada pelo professor Mark Urban, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, diz ainda que os países da América do Sul estarão entre os mais atingidos por esse desastre ambiental, além de Austrália e Nova Zelândia. Ou seja, nossas espécies estão entre as mais ameaçadas.

Nos países sulamericanos, ainda de acordo com a pesquisa, a perda de espécies animais e vegetais deve ser ainda maior, chegando a 23%, justamente por terem habitats únicos e essenciais a muitas espécies. Algumas poderão até se adaptar às novas condições, quando seu habitat natural desaparecer por completo ou se tiverem dificuldade de se chegar a ele, mas muitas certamente não resistirão aos efeitos das mudanças climáticas no meio ambiente.

Os impactos do aquecimento global que colocam a sobrevivência de tantas espécies nativas em risco são diversos e variados. Da interferência no ciclo reprodutivo de sapos à redução na produção de flores e frutos de algumas espécies da Amazônia, que a longo prazo podem decretar o fim dessas espécies, são alguns exemplos do que essas alterações climáticas podem causar à nossa biodiversidade.

Diante dessa terrível previsão é urgente que se faça algo para garantir a permanência de todas as espécies que já estão ameaçadas e de outras que estão sob perigo de extinção. Se não for severamente controlado e reduzido, o aquecimento global afetará a biodiversidade de vários ecossistemas e, impiedosamente, colocará em risco a sobrevivência de muitas espécies.

(*) – É presidente do Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS) – CRBio-01.

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