O ano de 2026 reforça a necessidade e evolução contínua na forma como as empresas brasileiras precisam tomar decisões. Planejamento, visão estratégica e entendimento do impacto tributário deixam de ser temas acessórios e passam a definir quem atravessa o próximo ciclo com solidez e quem ficará pelo caminho. O improviso, que durante anos foi tolerado como traço do empreendedorismo, tende a cobrar um preço alto.
Planejar, neste novo contexto, não é sinônimo de prever o futuro com exatidão. A ideia de controle absoluto já se mostrou ilusória. O papel da estratégia passa a ser outro: criar direção. Em um ambiente marcado por incertezas regulatórias / tributárias, pressão de custos e mudanças constantes, o planejamento funciona menos como uma promessa de precisão e mais como um norte claro para orientar decisões. Ele precisa ser vivo, ajustável e conectado à realidade da operação, sem se transformar em uma camisa de força que paralisa a empresa.
Antes de metas, indicadores ou planilhas, o ponto de partida está na visão dos sócios. É dessa visão que nasce a estratégia, que depois se desdobra em frentes prioritárias e execução. Metas não devem ser tratadas como fetiche de performance, mas como consequência direta das necessidades do negócio: quanto precisa gerar de resultado, quanto pode investir, quanto pode distribuir e quanto precisa preservar de caixa para sustentar o crescimento.
Nesse cenário, a priorização deixa de ser uma escolha e passa a ser uma exigência. Empresas fazem muitas coisas ao mesmo tempo, mas resolvem poucas. O excesso de iniciativas em andamento, sem conclusão clara, cria uma falsa sensação de avanço. Negócios sem foco entram em um estado permanente de execução inconclusa, no qual tudo parece urgente e nada é, de fato, estratégico. Escolher o que vem primeiro, e o que ficará para depois, torna-se condição de sobrevivência e evolução contínua.
O debate sobre planejamento ganha ainda mais peso quando se cruza com a reforma tributária. O tema, muitas vezes tratado como responsabilidade exclusiva do contador, passa a impactar diretamente preço, contratos, competitividade e capital de giro. O risco aumenta especialmente para empresas que analisam apenas margem e ignoram os efeitos financeiros das mudanças tributárias sobre o caixa e o fluxo de recursos.
A forma de contratar, precificar e estruturar contratos de longo prazo entra no centro da estratégia. A reforma afeta a contratação de serviços, a formação de preços e a capacidade de repasse de custos em mercados nos quais o cliente resiste a aumentos. Empresas que não revisarem seus modelos correm o risco de preservar margem no papel, mas comprometer liquidez na prática.
Outro ponto sensível é a formalidade fiscal. Eficiência tributária e conformidade ganham ênfase e passam a representar o mínimo necessário para continuar competindo. O ambiente tende a ser menos tolerante com estruturas improvisadas ou decisões tomadas sem análise de impacto. O jogo muda, e quem não se preparar tende a ser penalizado.
À medida que essas variáveis se combinam, fica claro que planejamento financeiro, análise de performance e revisão tributária não podem mais caminhar separadamente. O que antes era importante passa a ser vital. Empresas que conseguem integrar visão estratégica, execução disciplinada, governança e capital estarão mais bem posicionadas para responder às mudanças com velocidade e critério.
Este ano não será o ano de quem tenta adivinhar o futuro. Será o ano de quem constrói estrutura para reagir a ele e evoluir. E, nesse cenário, o improviso deixa de ser uma virtude e passa a ser um risco que o mercado já não está disposto a perdoar.
(Fonte: Rogério Vargas, sócio da Auddas e André Adolfo, CEO da BWA Global).
