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O cafezinho nosso de cada dia no empreendedorismo

em Agronegócio
terça-feira, 04 de agosto de 2026

Bendita seja a Rubiaceae nossa de cada dia! Da família Rubiácea, gênero Coffea, nasce o café, a bebida mais consumida no mundo (só perdendo para a água, essencial à vida e ao preparo das outras bebidas).

O gosto pelo café pode gerar oportunidades de negócios, encontros, paqueras ou simplesmente passar o tempo, com boa dose de prazer, enquanto se espera alguém, uma entrevista, um avião, uma encomenda. Regra geral, quando alguém te convida – “Vamos tomar um café” – nem sempre é sobre o café. No caso do sr. Wilson, mineiro da gema, o hábito de tomar café enquanto esperava o cliente chegar para a sua visita comercial, o levou ao negócio. E junto com ele veio o filho, Cristian, e junto com os dois veio a Mr. Black Café Gourmet, rede nascida da oportunidade, que hoje ostenta 50 lojas e um faturamento que deve superar os R$ 40 milhões neste ano.

“Os meus avós eram comerciantes, assim como o meu pai. Aos 14 anos eu já pensava em ganhar dinheiro e decidi botar a mão na massa. Comecei a fazer manutenção de computadores. Por volta de 16, 17 anos, consegui importar (via internet) tênis dos Estados Unidos e vender”, conta Cristian Figueiredo como foi o jovem dar vazão ao seu lado empreendedor. Hoje o homem à frente dos negócios da rede Mr. Black só tem a agradecer aonde chegou. Mesmo gostando da Ciência da Computação (sua formação) e tendo estagiado em grandes companhias como a Belgo-Mineira (hoje ArcelorMittal), resolveu aceitar o convite do pai para a sociedade e partir para um negócio que, em essência, nenhum deles conhecia.

O prazer de tomar café pode ter influenciado o cérebro, além do enfeitiçamento do estômago e do coração? Talvez, no caso do sr. Wilson, daí para tentar um novo negócio foi um pulinho. Próximo ao salão de beleza da mãe de Cristian (outra empreendedora nata) existe o shopping Cidade, em Belo Horizonte (MG). “Computação é interessante, mas achei uma área um pouco ´parada`”, justifica ele o salto para o negócio do café. Na realidade, o próprio shopping indicou uma oportunidade para o sr. Wilson, ali dentro mesmo, e este depois de muito pensar resolveu arriscar. Como ele nunca tinha mexido com alimentação, recorreu à consultoria de um expert na área de buffets e restaurantes, indicado pelo próprio shopping. E não é que deu certo?

— E aí, deu um friozinho na barriga?

— Sim, mas fomos em frente. E a primeira loja deu certo – conta Cristian. Aliás, deu muito certo, pois nem à época da pandemia (da covid-19) tiveram problemas de funcionamento e faturamento.

Cristian Figueiredo

Entre 2006 e 2008 os sócios Cristian e Wilson Figueiredo passaram estudando esse mercado. Não demorou e a concorrência começou a assediá-los. Mas se mantiveram firmes no leme e continuaram a tocar o barco e conquistando espaço. Por orientação da consultoria mudaram o nome, em 2008, para Mr. Black e a coisa pegou bem. Uma vez mais a iniciativa deu certo. Hoje a rede está em BH, por certo, uai, em São Paulo, além do Nordeste e Centro-Oeste. Os grãos são selecionados junto a algumas fazendas-parceiras (em três diferentes regiões de Minas Gerais) e todo ano negocia as safras desses produtores. “A torra (de aproximadamente 1,5 tonelada / mês) é feita em BH, por demanda, para que o café esteja sempre fresco”, explica Cristian Figueiredo.

O público jovem toma bastante café, e procura muito as bebidas geladas no Mr. Black Café Gourmet, mas não é a maioria. Do perfil consumidor o destaque fica com as mulheres, entre 35 a 55 anos, pois nesta faixa sabem o que é bom e, claro, assunto nunca falta, entre uma chávena e outra. Finalizando, Cristian deixa um conselho para os jovens: “Nos negócios, siga sempre em frente, tenha coragem e determinação. Não é fácil empreender, mas a recompensa é grande”.

Gastronomia paulista avança com o lançamento das Rotas do Café de SP | Jornal Empresas & Negócios