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FIDCs e carteiras estruturadas ganham espaço no agronegócio

em Agronegócio
terça-feira, 18 de agosto de 2026

A gestão de grandes patrimônios no agronegócio brasileiro deixou de estar concentrada apenas nos escritórios da Faria Lima, em São Paulo. Em regiões produtoras do Paraná, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, produtores rurais, famílias empresárias e empresas do setor têm ampliado a busca por soluções financeiras estruturadas, como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e carteiras personalizadas de investimento.

O movimento acompanha a profissionalização da gestão patrimonial no campo e a necessidade de diversificar fontes de crédito e investimento em um ambiente marcado pela volatilidade das commodities, do câmbio e dos juros.

Nesse cenário, a HUMU, instituição financeira nascida em Umuarama (PR), e hoje com operação em São Paulo, tem ampliado sua atuação junto a produtores e empresas do agronegócio. A companhia informa movimentar mais de R$9 bilhões por mês em suas diferentes verticais e aproximadamente R$1 bilhão em ativos sob gestão em fundos e carteiras administradas no Brasil e no exterior.

Segundo Rodrigo Grossi, COO da HUMU, a procura por estruturas mais flexíveis cresceu nos últimos anos, especialmente entre produtores e empresas de médio porte que buscam alternativas aos produtos padronizados oferecidos por grandes bancos e cooperativas.

“O produtor rural e o empresário do agro estão mais sofisticados financeiramente. Eles querem crédito e investimento alinhados ao ciclo do negócio, com mais flexibilidade e proximidade no atendimento. Por isso vemos um aumento da procura por estruturas fora do modelo tradicional dos grandes bancos”, afirma Grossi.

Relação próxima ganha espaço no atendimento ao agro
A proximidade com o cliente é apontada como um dos fatores que explicam o avanço dessas soluções fora dos grandes centros financeiros. A origem da empresa no interior do Paraná ajudou a moldar um modelo de atendimento baseado em relacionamento direto com produtores e empresários do agro.

De acordo com Grossi, compreender a dinâmica regional, a sazonalidade da produção e as necessidades específicas de cada operação permite desenhar estruturas financeiras mais aderentes à realidade do campo.

“Quem atua no campo sabe que confiança não se constrói apenas por aplicativo. Estar próximo do cliente, entender a realidade da propriedade e acompanhar o negócio ao longo do tempo faz diferença na hora de estruturar crédito, investimento e planejamento patrimonial”, destaca o COO.

Em um setor historicamente baseado na confiança e no contato pessoal, o atendimento menos automatizado tem ganhado relevância na tomada de decisão financeira.

FIDCs se consolidam como alternativa ao crédito
Entre as estruturas que mais avançam no agronegócio estão os FIDCs, fundos que reúnem direitos creditórios originados em operações comerciais e financeiras de empresas do agronegócio. Na prática, esse modelo pode ampliar o acesso ao crédito para empresas de médio porte, com condições mais ajustadas ao fluxo de caixa do negócio rural.

“O FIDC permite transformar recebíveis em uma fonte de recursos para empresas do agronegócio. Na prática, ele pode trazer mais agilidade, condições mais adequadas ao fluxo de caixa da operação e uma alternativa complementar ao crédito bancário tradicional”, explica o executivo.

A HUMU atua na estruturação de fundos de crédito privado e de outras soluções de investimento, incluindo FIMs, FIPs, FIIs e carteiras administradas. A empresa também possui operação de Sociedade de Crédito Direto (SCD), autorizada pelo Banco Central, integrada à gestora de recursos do grupo, o que permite conectar a originação de crédito às estruturas de funding.

Carteiras personalizadas ganham espaço entre famílias empresárias
Outro movimento observado é o aumento da procura por gestão patrimonial personalizada. Em vez de concentrar investimentos em produtos padronizados, famílias empresárias do agronegócio têm buscado estratégias desenhadas de acordo com perfil de risco, horizonte de investimento e objetivos patrimoniais.

Segundo Grossi, a personalização permite combinar diferentes classes de ativos e construir uma estratégia mais eficiente de preservação e crescimento do patrimônio.

“Muitas famílias do agro já perceberam que produtos padronizados nem sempre atendem seus objetivos de longo prazo. A carteira estruturada permite combinar diferentes ativos e construir uma estratégia mais aderente ao perfil de risco, à sucessão familiar e à preservação do patrimônio”, destaca.

Além do retorno financeiro, temas como sucessão familiar, governança e planejamento patrimonial passaram a ocupar espaço crescente nas decisões desse público.

Diversificação internacional entra na estratégia patrimonial
A exposição do agronegócio às oscilações do dólar e das commodities também tem levado investidores do setor a ampliar a diversificação geográfica dos ativos. Estruturas internacionais e investimentos no exterior passaram a integrar a estratégia patrimonial de parte das famílias do agro.

De acordo com o executivo, o objetivo não é substituir os investimentos no Brasil, mas complementar a carteira e reduzir a concentração de riscos. “A volatilidade do dólar e das commodities faz parte da rotina do agronegócio. A diversificação internacional tem sido usada como ferramenta de proteção patrimonial, reduzindo a concentração de riscos e trazendo mais equilíbrio para a carteira do investidor”, afirma.

Para Grossi, a tendência é que a gestão de fortunas no agronegócio continue avançando para modelos mais sofisticados, descentralizados e conectados à economia real das regiões produtoras.

FIDCs aceleram migração do crédito brasileiro para infraestrutura digital | Jornal Empresas & Negócios