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Brasil que floresce além do agronegócio tradicional

em Agronegócio
terça-feira, 15 de setembro de 2026

O campo brasileiro é marcado por gigantes. Soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão, as cinco principais culturas do país, ocupam milhões de hectares e sustentam pilares estratégicos da economia nacional. Mas, entre essas lavouras que abastecem o Brasil e diferentes mercados internacionais, existe outro universo rural, mais discreto, embora igualmente relevante: o das culturas de nicho, especializadas, que atendem segmentos como gastronomia, jardinagem e decoração.

Nesse cenário, produtoras como Maria Lúcia Nogueira Lourenço, da Morro Agudo Hortaliças Especiais, sediada em Bom Sucesso, na cidade de Teresópolis (RJ), encontraram um caminho sólido para prosperar. Há três décadas na lavoura, ela e o marido começaram cultivando alimentos tradicionais, como brócolis e alface. Mas foi ao investir em flores comestíveis, há cinco anos, que o negócio floresceu — literalmente.

“No início, colhíamos 20 potinhos e vendíamos 10. Não havia mercado. Mesmo assim, não desistimos”, recorda. A persistência transformou a atividade: hoje, Maria Lúcia cultiva mais de dez tipos de flores comestíveis — como amor-perfeito, capuchinha, tagete, cravina e rosas — e se consolidou como uma das principais produtoras do Rio de Janeiro. Seus clientes são restaurantes e chefs que buscam cores, texturas e aromas únicos para a alta gastronomia. “Trabalhamos com tudo que é diferente, buscando sempre inovar na produção”, resume a agricultora.

Assim como Maria Lúcia, o engenheiro agrônomo William R. Hannemann, da empresa Bela Flor Plantas, de Campo Largo (PR), também apostou em uma cultura pouco convencional: o cultivo de plantas ornamentais. O negócio, que surgiu de uma necessidade familiar, evoluiu até se tornar uma referência em qualidade. “O conhecimento foi a maior dificuldade no início — aprender o que cada espécie precisa, entender as pragas, o manejo, o substrato. Hoje, temos duas unidades: uma para mudas e outra para a produção de vasos e cuias”, explica. A empresa, com 20 anos de atuação, atende principalmente prefeituras e grandes lojas de jardinagem, os chamados garden centers.

No Oeste do Paraná, em Maripá, outra história mostra como culturas ornamentais também podem impulsionar economias locais. À frente do Orquidário Maripá & Cia Ltda, o produtor Elemar Stibbe iniciou o cultivo de orquídeas a partir de uma demanda gerada por um projeto do próprio município, que incentivou a ornamentação de ruas e praças com a planta.

“Com o tempo, as orquídeas foram crescendo, ficaram bonitas e começaram a atrair visitantes. As pessoas vinham à cidade e queriam comprar mudas, mas não existia nenhum produtor aqui”, conta. O início foi modesto, no fundo do quintal, enfrentando dificuldades técnicas, financeiras e de infraestrutura. Hoje, após mais de 25 anos de trajetória, o cultivo ocupa uma área de 27 mil metros quadrados. O produtor cultiva espécies nativas e exóticas, trabalha com mudas clonadas de maior valor comercial e vende para todo o Brasil pela internet.

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