
A agricultura brasileira avançou no uso de tecnologias, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar os dados coletados em decisões de manejo, especialmente nas pequenas propriedades. O tema esteve entre os destaques do primeiro dia do 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e da 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA), iniciados nesta segunda-feira (13), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS).
O presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP), Márcio Albuquerque, ressaltou o caráter histórico da realização conjunta dos dois encontros durante a cerimônia de abertura. Segundo ele, esta é a primeira vez que a principal conferência mundial da área ocorre fora da América do Norte. Afirmou ser uma honra para o Brasil sediar o evento e agradeceu à International Society of Precision Agriculture (ISPA) pela confiança depositada na AsBraAP para organizar o encontro. Albuquerque destacou que a escolha de Porto Alegre possui um simbolismo especial.
Albuquerque também destacou que a AsBraAP completa dez anos de atuação em 2026. Conforme o presidente da Associação, nesse período, a entidade vem conectando profissionais e contribuindo para o desenvolvimento da agricultura de precisão no Brasil. Ao se dirigir aos participantes, o dirigente enfatizou que o congresso foi concebido como um ambiente para a troca de experiências, a apresentação de desafios e a demonstração da evolução tecnológica do setor.
O presidente da International Society of Precision Agriculture, Steve Phillips, destacou que a realização da primeira edição da conferência fora da América do Norte representa um marco para a entidade. Considerado uma das referências internacionais em agricultura de precisão, ele afirmou que levar o encontro para outro continente era um objetivo discutido há anos pela organização.
Segundo Phillips, a decisão de internacionalizar o evento foi tomada há cerca de dois anos, apesar dos desafios envolvidos na iniciativa. Ele atribuiu a realização da conferência à parceria estabelecida com a AsBraAP e as demais instituições envolvidas na organização.
Phillips também ressaltou que a realização da conferência fora da América do Norte integra um processo mais amplo de internacionalização da ISPA. De acordo com ele, a entidade reformulou suas diretrizes e ampliou a estrutura de governança, com a criação de cargos de liderança e representações regionais.
Como resultado das mudanças, a diretoria da sociedade passou a contar com representantes de todos os continentes, ampliando em 25% a representatividade global da organização. “Esse avanço reflete não apenas o crescimento do número de associados, mas também o maior engajamento da comunidade científica, a participação dos membros e a qualidade das contribuições técnicas voltadas ao desenvolvimento da agricultura de precisão”, declarou.
Em sua palestra, Márcio Albuquerque abordou o atual momento da agricultura brasileira. Inicialmente, mostrou que o Brasil era importador de alimentos até meados da década de 1960. Essa realidade começou a mudar a partir dos anos 1970, com o avanço da pesquisa agropecuária e a criação de instituições como a Embrapa. Albuquerque também citou o Rio Grande do Sul entre os estados que passaram a adotar tecnologias na produção de alimentos, posteriormente expandidas para outras regiões do País. “Cada vez mais, a agricultura de precisão e digital vem se inserindo nesse processo a partir da integração entre produtores rurais, pesquisadores, empresas e entidades governamentais”, destacou.

