
Emprego e renda sustentam a confiança, enquanto juros elevados derrubam as compras
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador mensurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), recuou 0,2% em setembro. O índice passou para 110,7 pontos, registrando a sétima queda mensal consecutiva da sequência iniciada em março. Ainda assim, o indicador permaneceu acima da linha de neutralidade (100 pontos) e avançou 4,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os resultados revelam comportamentos distintos: enquanto o crescimento interanual sinaliza uma disposição para consumir mais favorável do que a observada há um ano, a sequência de quedas mensais evidencia uma perda gradual de dinamismo. Na avaliação da FecomercioSP, o mercado de trabalho e a renda ajudam a sustentar o índice, mas os juros ainda elevados, o endividamento e o comprometimento do orçamento familiar limitam a capacidade de ampliar gastos, especialmente nas compras que dependem de financiamento.
Consumo fraco
O emprego atual continua sendo o principal fator de sustentação do ICF. Embora tenha registrado leve recuo de 0,1% no mês, para 141,2 pontos, o componente manteve a maior pontuação entre os indicadores que compõem o índice, avançando 4,8% na comparação com setembro de 2025.
O resultado reflete a resiliência do mercado de trabalho, caraterizado por uma taxa de desocupação próxima das mínimas históricas e pela manutenção de saldos positivos na geração de empregos formais. Esse ambiente contribui para preservar a percepção de segurança ocupacional e de continuidade da renda, fatores essenciais à sustentação da demanda dos lares.
Entretanto, a avaliação favorável das condições atuais de emprego contrasta com a deterioração das expectativas profissionais. O componente `perspectiva profissional` recuou 1,7% no mês, para 108,8 pontos, registrando a quarta queda mensal consecutiva. Na comparação interanual, a retração foi de 9,4%. Embora permaneça acima de 100 pontos, o movimento sinaliza menos otimismo quanto às possibilidades de evolução profissional nos próximos meses.
O nível de consumo atual recuou 1,3% em setembro, atingindo 86,9 pontos, na segunda queda mensal consecutiva e no segundo maior patamar do ano. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve avanço de 3,3%. O resultado reforça a percepção de enfraquecimento do consumo presente, apesar da avaliação relativamente favorável das condições de emprego e renda.


