
A Anthropic, empresa de inteligência artificial que desenvolve o modelo Claude, enfrenta questionamentos sobre receitas às vésperas de sua abertura de capital
Vivaldo José Breternitz (*)
Quando uma empresa se prepara para realizar uma das aberturas de capital (IPOs) mais aguardadas da história do mercado financeiro, é natural que investidores e especialistas examinem suas contas com o máximo rigor.
Em 14 de outubro passado, o Wall Street Journal informou que a Anthropic comunicou a investidores privados que sua receita havia crescido 45%, chegando a quase US$ 17 bilhões no terceiro trimestre deste ano. A notícia foi divulgada cerca de um mês depois de surgirem informações de que a empresa afirmava ser lucrativa, mas apenas com a adoção de um método contábil especial, que excluía a maior parte de suas despesas.
Segundo o portal Business Insider, embora uma receita de US$ 17 bilhões no terceiro trimestre possa parecer impressionante à primeira vista, ela está muito aquém da necessária para justificar uma avaliação na casa dos 2 trilhões de dólares que é a esperada pela Anthropic, naquele que possivelmente seria o maior IPO da história, superando até o da SpaceX.
Gary Marcus, professor emérito da Universidade de Nova York e empreendedor, conhecido por suas críticas ao hype da inteligência artificial, também questionou em sua conta no X as perspectivas da Anthropic. Em uma publicação, ele afirmou que a empresa precisaria alcançar receitas anuais entre US$ 190 bilhões e US$ 200 bilhões até 2028 para justificar a avaliação de mercado esperada pela mesma e disse que “eles não vão chegar nem perto disso”.
Resta saber se, diante de um cenário como este, a empresa manterá a operação, que estava prevista para acontecer até novembro próximo.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



