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Incêndios de carros elétricos são quase impossíveis de apagar

em Tecnologia
quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Os veículos elétricos oferecem uma série de vantagens: torque instantâneo, economia de combustível e menor impacto ambiental.

Vivaldo José Breternitz (*)

No entanto, há um ponto crítico que preocupa motoristas e autoridades: quando pegam fogo, esses veículos são muito mais perigosos do que os modelos movidos a combustão interna.

Embora os incêndios em elétricos não sejam frequentes, o desafio está na forma como eles se desenvolvem. As baterias de íons de lítio, ao entrarem em combustão, desencadeiam um fenômeno chamado “termal runaway”, uma reação em cadeia acelerada pelos elementos químicos presentes nas células das baterias. Esse processo torna o combate às chamas extremamente difícil.

Nos últimos anos, com a popularização dos elétricos, diferentes estratégias foram testadas para combater esses incêndios: produtos químicos misturados à água, mantas especiais para abafar o fogo etc. Mas um estudo do Fire Safety Research Institute, organização voltada ao desenvolvimento de técnicas de combate a incêndios, que analisou 18 incêndios provocados com fins experimentais, concluiu que nenhuma dessas inovações supera o método tradicional: grandes quantidades de água lançadas por mangueiras.

Ainda assim, o estudo ressalta que essa solução tem seus limites. A água ajuda a controlar as chamas, mas não interrompe o processo de combustão interna da bateria e, ainda pior, pode provocar a ignição de células que ainda não haviam sido afetadas.

O caso do incêndio de um caminhão Tesla ocorrido em 2024, na California, que consumiu quase 200 mil litros de água e manteve uma rodovia interditada por 15 horas, ilustra bem o dilema. Esse tipo de abordagem, apesar de custosa e demorada, representa hoje a solução menos ruim diante da complexidade dos incêndios em veículos elétricos.

Com o aumento do número de elétricos em circulação, esse é um problema que deve se tornar cada vez mais comum.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].