301 views 5 mins

Data center da Amazon deverá ser o maior poluidor dos Estados Unidos

em Tecnologia
quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Um data center que vem sendo construído pela Amazon deve se tornar a maior fonte de poluição dos Estados Unidos, segundo noticiou recentemente o The New York Times.

Vivaldo José Breternitz (*)

A empresa, que é a maior operadora global de data centers, obteve as licenças necessárias para o projeto. O empreendimento será alimentado por uma usina de gás natural localizada no mesmo complexo, no condado de Pecos, no Texas. A nova usina contará com 35 turbinas a gás natural capazes de gerar até 7,65 gigawatts de energia.

Para gerar esse volume de energia, a queima do combustível lançará na atmosfera 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, volume superior ao de qualquer outra usina termelétrica do país, disse o jornal.

A Amazon segue tocando o projeto, mas mantem a promessa de se tornar totalmente neutra em carbono até 2040. A empresa assumiu esse compromisso em 2019, mesmo ano em que foi uma das fundadoras do The Climate Pledge, uma aliança que reúne mais de 700 empresas e que pretende incentivar empresas e outras organizações a alcançarem a neutralidade de emissões de carbono até 2040, dez anos antes da meta de 2050 estabelecida pelo Acordo de Paris.

Apesar do compromisso, as emissões de CO₂ da Amazon vem crescendo, impulsionadas sobretudo pelo investimento de centenas de bilhões de dólares na construção de novos data centers para suportar o avanço da inteligência artificial.

Em nota enviada ao The New York Times, a Amazon reconheceu o impacto negativo da expansão da infraestrutura de IA sobre suas metas climáticas, mas reforçou que permanece totalmente comprometida com o objetivo de emissões neutras. “O mundo hoje é diferente de quando cofundamos o Climate Pledge”, afirmou a porta-voz da Amazon, Margaret Callahan. “Nosso compromisso, contudo, não mudou”.

O posicionamento da Amazon é similar ao da Microsoft, que também enfrenta dificuldades para cumprir a meta ainda mais ambiciosa de alcançar a neutralidade de carbono até o fim desta década. No mês passado, a empresa divulgou em seu mais recente Relatório de Sustentabilidade Ambiental que suas emissões líquidas subiram 25% em relação ao ano anterior. O aumento decorre do crescimento da infraestrutura de data centers e da decisão de suspender o uso de certificados de energia renovável de curto prazo, mecanismos que reduzem, apenas no papel, a pegada de carbono sem injetar energia limpa nas redes elétricas. A empresa, no entanto, reitera que atingirá a meta estabelecida para 2030.

A construção de data centers vem sofrendo oposição cada vez maior, em função dos impactos ambientais gerados por eles. No entanto, o governo Trump tem apoiado novos projetos na área, inclusive incentivando construções mediante o redirecionamento do uso de terras federais.

Para evitar sobrecarregar as redes públicas de energia elétrica, muitos data centers migraram para a geração de energia própria no próprio local, modelo adotado no novo complexo da Amazon. Embora algumas empresas avaliem fontes renováveis e nucleares, o gás natural permanece como a matriz energética preferida na maioria dos projetos em razão de sua ampla disponibilidade.

A gestão Trump também apoia essa abordagem, promovendo combustíveis fósseis como petróleo, gás e carvão em detrimento de fontes de energia mais sustentáveis, o que, em termos de mundo, é simplesmente lamentável.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

Uma aposta perigosa: aviões com apenas um piloto | Jornal Empresas & Negócios